domingo, 22 de fevereiro de 2009

MIRAGENS DO PENSAMENTO


Vem, fica...

Recosta no meu colo cansado,

Descansa, sonha, fantasia

A fantasia é livre

Me ama, me queira, me enlouqueça no amor

Pois que sou sua...

Me empreste seu olhar na caminhada,

Como quem adora, admira, espera,

Não na vigília gerada nas miragens do seu pensamento

Me deixe sentir a sua saudade segura,

Não a sua preocupação doentia e infundada

Entenda que o amor é leve, é livre e voa

Não transforme a nossa aliança em grilhão

Nem em algemas

Nesse caminho, mais prende quem solta

Dê a você o benefício da confiança

Não da dúvida

Acaso o meu amor é pouco ou falho?

Acaso já teve de mim alguma prova de leviandade?

Quando te aceitei como meu, jurei ser para sempre

O que pretende?

Fazer com que eu me acredite infiel de tanto te ouvir dizer?

Me magoa, me ofende ser tratada como um inimigo

Sem crédito, sem confiança

Como alguém, que caída aos seus pés impede o passo

Não te basta que tanto te ame?

Não te agrada a companheira feliz?

Precisa que eu me aceite como não sou?

O seu medo me traduz insegurança

Em você, o homem que jurei amar

Acaso é menor do que vejo?

Me ame, me entenda, me respeite

E serei pra sempre o braço que te ajuda nos remos

Não somente a mão que tira água do barco

Eu quero ser feliz

Quero ser sua amada

Mas, pra isso, preciso que confie em mim

Além de amor, estaria pedindo muito?

Pra sempre sua.


Vera Celms

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A CULPA PODE SER SÓ UM SENTIMENTO


Culpa...

Sentimento indomável,

Presença indolente, e

Sempre contente,

Indizível aflição,

Insustentável situação,

Que bate a sua porta no meio da noite,

Te fazendo perder o sono;

E, não é ninguém...

Que cai no teu prato, de lugar algum,

Te fazendo perder a fome;

E não é nada...

Que te segura o pescoço,

Que te sufoca

Que te seca a garganta,

Que te faz procurar um copo; sem sede,

Só para esquecer,

Que te move, que te leva a todo lugar,

Ou a lugar algum,

Que te faz procurar provas,

E você, sem ao menos um motivo;

Pois não o tem...

E ela é então, um fruto da sua imaginação,

Quem sabe ,em defesa da própria palavra...

Ou da própria honra...

Ou da confiança de alguém,

E, pode ser o seu próprio medo,

De ser acusado,

De ser apontado,

Sem nada dever,

Entretanto, as vezes,

Tendo de pagar por tudo isso...

Vera Celms


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ACASO EM NOSSAS VIDAS


‘Pode ser por acaso que as pessoas entram em nossas vidas, mas... com certeza, não permanecerão por acaso...’

São pessoas e pessoas

Cada qual com seu encanto,

Cada qual com seu caminho

Cada qual com sua história

Algumas histórias jamais se congruem

Outras jamais se esquecem

A maioria fica em algum lugar lá no fundo

Algumas no fundo do peito

Outras no fundo dos olhos

Outras no fundo do poço

Outras no fundo da lembrança...

Muito além do que todos possam sentir...

Histórias são breves, ou não,

Marcantes ou não,

Mas, não menos histórias

Histórias de criança,

Histórias de amor,

Histórias de vida... dos amigos, dos iguais...

Aqueles que com o fundo de nosso peito conversam sem precisar de uma só palavra...

Palavras o vento leva

Olhares a memória guarda

Amigos ficam na pele, na alma, na saudade...

Jamais se esquece daqueles, que mesmo de forma rápida conheceram o seu abraço,

Conheceram o seu aperto de mão,

E mais que tudo, conheceram o poder da sua palavra amiga,

Jamais deixe de olhar para trás

Principalmente quando atrás de você ficarem pessoas, amigos,

Sorrindo no aceno ou chorando na despedida,

Jamais diga jamais

É tempo demais! Até breve...

Esperamos poder lembrar para sempre,

Mesmo que para sempre também seja tempo demais

Pelo menos, até onde as lembranças trouxerem alguma saudade

Ou até onde a saudade trouxer alguma lembrança...

Vera Celms


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

QUAIS VERSOS


Quantos versos cabem numa só exclamação?

Quantas dúvidas resolvemos em cada interrogação?

Quantas fases criamos, enganados,

Quantas lágrimas criamos, impactados,

Porque não evitamos, acordando,

Porque não enxergamos, lutando,

Acomodar e chorar,

Se esconder e resignar,

Aceitar a pancada da vida,

Nos entendermos merecedores,

nos julgarmos perdedores,

Abaixar procurando os cacos,

Daquele anel que alguém te deu

Que só por ter sido de vidro, deveria recuar...

O futuro virá, independente da nossa vontade,

Cabe a nós ‘encomendar’ do destino a qualidade,

A realidade,

Se quisermos, a visão será pra sempre embaçada,

Se escolhermos, as lágrimas só lavarão o olhar,

O que não temos, é o direito de embaçar todos os vidros,

As janelas são comuns a todos que temos por perto,

Logo, a deformação das imagens também,

Não ofereçamos motivos para compaixão,

Deixemos que só os amigos nos consolem, não os copos,

Nós mesmos não precisamos estampar o alvo no peito

Devemos desejar respeito,

Não somos da vida coitadinhos,

Nem também os escondidinhos,

Ou saímos na chuva,

Ou jamais conseguiremos nos molhar...

Vera Celms


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Apesar de você Chico Buarque/1970


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal


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