domingo, 19 de abril de 2009

COMUM DEMAIS


Mesmando,

Nosso caminho mesmou...

Já não apreciamos mais o nosso tempero,

Já não há surpresa,

Onde está a emoção?

Onde ficou o arrepio?

Onde ficou a imaginação?

A aventura não precisa estar somente no novo,

Não precisamos procurar ninguém lá fora,

Nós estamos aqui mesmo,

Estamos aqui dentro, tão perto e tão sós,

Dentro de cada um de nós,

habita alguém que queremos encontrar

Nós queremos continuar aqui,

Se outras pessoas são capazes de conosco fantasiar,

Porque nós mesmos não podemos tentar?

Usar uma roupa nova,

Usar um perfume novo

Um novo corte de cabelo

Mexe com a auto-estima, com a imaginação,

Podemos procurar situações,

Podemos inovar posições,

Uma pitada a mais de açúcar ou sal,

A pimenta pode ser um aliado leal,

Pode trazer um novo sabor,

Podemos buscar uma nova estampa,

Podemos acelerar o pulso,

Podemos nos fazer ofegar,

Podemos ainda, acrescentar um novo brilho ao olhar,

Podemos ainda levitar!!!

Se carinho precisarmos pedir,

Se a emoção imaginamos excluir,

O que nos irá restar?

A mesmice?

Sempre o mesmo lugar,

O mesmo gosto,

Não precisamos desejar ninguém lá de fora,

Podemos sim, a nós mesmos desejar,

Podemos ainda nos elogiar?

Podemos ainda nos admirar?

Então podemos tentar...

Mudar a cor dos lençóis,

Aromatizar o vapor do banho,

Iluminar a velas a hora do jantar,

Levar nosso momento de amor pra passear,

ou até viajar...

Num novo lingerie, migrar e voltar,

Vamos sair então deste lugar já tão comum,

Senão, iremos mais e mais mesmar...

Sendo que o que mais desejamos, é nos amar...

É continuar escrevendo essa história,

E já fazemos isso tão bem, há tanto tempo!!!

Vera Celms


domingo, 12 de abril de 2009

RECADO A GALERA

GENTE, ESTOU ABUSADA!!!!

ALÉM DE VERA CELMS, CALDA DE CHOCOLATE APIMENTADO;
NASCEU HOJE, MAIS UM BLOG BY VERA CELMS... AGORA VAMOS TAMBÉM "ARRASTANDO CORRENTES".

TRATO DE ASSUNTOS SINISTROS, ASSUSTADORES, ENIGMÁTICOS... ENFRENTO VOCÊS A ATRAVESSAREM COMIGO, LUGARES LÚGUBRES... QUERO SABER O QUE TÊM DENTRO DAS VEIAS... TODO CUIDADO É POUCO... VAMOS?!

ESPERO POR VOCÊS NO CAMINHO...

VERA CELMS

sábado, 11 de abril de 2009

TEM DIAS...


Tem dias que a alma se expõe.
Tem dias que o âmago se esmaga,
Fujo para meu lençol,
O silêncio está aqui dentro,
Amplo, largo, forte, profundo
Avassalador,
As paredes ameaçam meu segredo,
A escuridão, sempre tão acolhedora,
agora ameaça meu silêncio, impiedosa
travesseiro úmido
consciência pouca,
alma vazia,
respirar já é difícil...
perspectiva falha
De repente, tudo parece tão cruel,
Tudo parece tão igual,
Sem cor, sem brilho, sem graça...
Preciso hoje de um pouco momento de paz,
Uma faísca de felicidade intensa,
Um lampejo de forte esperança,
Alguma surpresa... algo inesperado e bom...
Algo que chegue, arraste essa tinta branca,
Algo que venha colorir,
Algo que saiba sorrir,
Algo que saiba vibrar,
Algo que me relembre alguém que está longe, inalcansável,
Que tenha força, vida, luz ...
Que me mostre o caminho...
Que vá na frente, iluminando a trilha
Abrindo clareira na madrugada
Reinventando a alegria,
E madrugada vai renascer,
Vai pulsar, vai voltar a ser feliz...
Vai embalar o brilho da lua romântica e apaixonada,
Apesar de todos nós mortais...

Vera Celms

domingo, 5 de abril de 2009

RECADO A GALERA


Gente, a atualização do Blog será, a partir de agora, SEMANAL. O Blog CALDA DE CHOCOLATE APIMENTADO, já nasceu semanal. Estou postando uma pesquisa, manifestem-se, por favor. Conto com vocês... Beijokas a todos.

PIPA, PIPA, PIPA


Lucas tinha 4 anos e uma perna engessada.

Menino muito ativo. Capaz de correr, pular, saltitar, andar de bicicleta, cair, arrebentar o nariz ou a testa, levantar chorando, e continuar de onde tinha parado.

Os meninos da vizinhança, já mais velhos, gostavam muito das brincadeiras de Lucas, que sempre de bom astral conseguia chamar a atenção de todos.

Naquele momento, quando nem sabíamos como ele havia trincado o osso do tornozelo, a diversão mais imediata da turma era apostar corrida, só para ver o “manquitola” do Lucas se perder no caminho até o final da prova.

Era uma criança sem muita fragilidade. Quem notou que havia algo de errado com o pezinho do Lucas, foi o vizinho, que observou que ele corria com dificuldade e depois parava para descansar.

Questionado sobre o que tinha acontecido com seu pé, ele não sabia dizer, só disse que não conseguia correr direito, mas nem de dor reclamou.

Levado ao Ortopedista, um Raio-X mostrou uma trinca no osso do tornozelo. Foi colocada uma tala, que de acordo com o ritmo do Lucas, não durou 24 horas. Levado de volta ao médico, que queria renovar a tala, finalmente foi colocado um gesso até para cima do joelho por 15 dias.

Durante esse tempo, o ritmo de Lucas teve de ser contido, pois além de o gesso sofrer ameaça de esfacelamento, a correção de seu tornozelo também poderia ser deficitária.

Foi durante o período de Carnaval, quando seus priminhos vieram passar uns dias conosco que tivemos o maior problema, pois com o calor que fazia naquele verão, a piscina foi montada, principalmente porque morávamos numa chácara, e o pior dos sacrifícios foi mantê-lo longe da água com seu “enorme” gesso.

Mantê-lo longe da piscina só foi menos difícil, pois choveu por algum tempo, o que fez com que as brincadeiras se concentrassem dentro de casa ou na área coberta na churrasqueira.

Ivan e Ronaldo tinham 9 anos, César tinha 7 anos e Paulo 5 anos, todos seus primos. Todos acostumados a brincar na rua, tinham àquela época o hábito de empinar pipa, brincadeira que Lucas não conhecia ainda, pois vivia sempre na chácara e não tinha muito contato com brincadeiras de rua.

Recebíamos alguns garotos da vizinhança para brincar com ele, todos mais ou menos na mesma faixa etária, o que ajudava um pouco com relação a brincadeiras mais ‘soltas’.

De fato, como esperávamos, as pipas fizeram uma grande revolução nos hábitos de Lucas, que ficava esperando que seus priminhos o deixassem brincar também, mas como ele não tinha muita habilidade, acabava pondo a perder a brincadeira dos maiores. Lucas então ficava todo entristecido quando se sentia rejeitado e tinha de se contentar em olhar de longe aquele brinquedo tão encantador.

Dentro da sala, o narizinho quase colado a vidraça, deixava transparecer o brilho no olhar do menino que faltava levitar até o local da brincadeira.

Era notória a frustração de Lucas que era obrigado a permanecer a distância, até porque os maiores não o deixavam muito a vontade.

Lucas passou a dispensar qualquer outro tipo de atividade para observar a brincadeira dos outros.

Dava dó ver a expressão de Lucas ali, estático em seu posto de observação. Não assistia mais pela TV aos seus desenhos preferidos, nem aos demais programas infantis. Não queria mais colorir seus livrinhos, nem queria mais brincar com seus soldadinhos e ‘hominhos’ plásticos, com quem costumava travar as maiores batalhas comumente.

Levantava da cama, tomava seu banho, seu café da manhã, brincava com os garotos até que eles se lembravam das pipas e a partir daí o dia de Lucas voltava para trás da vidraça.

Tomava seu yogurte sem nenhuma atenção, abria a boquinha, ingeria e ali continuava, em seu encantamento. Parecia hipnotizado.

Não queria sair de seu posto nem para almoçar.

- Lucas, vem almoçar.

- Depois.

- Vem, mamãe fez batatinha frita com bifinho que você tanto gosta,

vem...

- E os priminhos também vem almoçar?

- Vem depois.

- Então eu também vou depois.

E ali continuava até que seus priminhos viessem para a mesa de almoço.

Dias e dias essa cena se repetiu, sempre da mesma forma.

Resolvi então conversar com ele para tentar entender o que ele sentia a respeito de tudo aquilo.

- Lucas, o que você tem?

- Nada, mãe.

- Como nada? Você não faz mais nada do que gosta. Só fica aí olhando

os meninos. Tem tanta coisa pra você fazer. Nem almoçar você

quer mais... faço comidinha que você gosta e você demora até pra

vir comer...

- Mãe, é que não consigo.

- Porque Lucas?

- Sabe mãe – isso tudo sem tirar os olhos de seu posto de observação –

eu quero fazer outras coisas, quero pintar, quero assistir desenho,

mas não consigo, minha cabeça só fica pensando uma coisa.

- E que coisa é essa Lucas?

- Então, eu sinto o cheiro do bifinho, da batatinha, do doce, e mesmo

com fome, a minha cabeça só fica assim.

- Assim como?

E juntando a ponta de todos os dedinhos da mão, batia contra a cabecinha, na têmpora, mostrando que alguma coisa ficava “martelando” seu pensamento, sua cabecinha o tempo todo e disse:

- pipapipapipapipapipa...


Vera Celms


quinta-feira, 2 de abril de 2009

ALMA ABERTA


Faz muito tempo,

Conheci um Falcão....

Lindas asas, lindo porte, lindo vôo.

Com ele aprendi a voar,

A retornar sempre para o ponto de partida,

A camuflar o ninho,

A disfarçar o radar,

Como era linda aquela viagem, a cada viagem,

Que linda paisagem ficou gravada no olhar,

Que lindo vôo alça um Falcão...

As viagens nunca chegaram ao final...

Eram incursões geniais,

Eram vôos espetaculares,

Porém, sempre foram interrompidas antes do final,

Quantas vezes tentei prosseguir,

Quantas vezes procurei aquele Falcão,

Que se perdeu no tempo,

Que migrou para outras paisagens,

Que criou um mundo novo só seu,

E eu não fazia parte desse mundo,

Tantas foram as histórias,

Tantos foram os motivos,

E mais ainda as explicações,

Procurei novos rumos,

Visitei penhascos,

Mirantes fantásticos,

Vales profundos,

Mas, o vôo jamais teve a mesma emoção,

As paisagens jamais se comparam àquelas passadas,

Os cursos passaram a ser eventuais,

Incertos e desastrados,

Conheci outros mundos,

Programei voltar

O tempo passou,

Um dia, quando nem imaginava mais nenhuma esperança,

Em pleno vôo reencontrei meu Falcão,

Já adulto, com uma vida inteira pra contar,

Com experiências amplas,

Com um mundo melhor,

E descobri, que apesar de todos os caminhos planados,

Jamais fui esquecida,

Enfim, voltamos a voar juntos,

Na mesma direção,

E desta vez, por mim, a viagem será até o final...


Vera Celms


quarta-feira, 1 de abril de 2009

NÃO DESCE PRO PLAY

Tanto me preocupo,
Em não olhar
Em não procurar
Em não mirar em ninguém!
Primeiro porque mal enxergo,
Segundo que nem faço questão de ver
Terceiro porque nunca tive boa pontaria
E ainda assim consegui acertar!
O fio de cabelo atrás da esponja
Com precisão cirúrgica
Tanto fugi dos escorpiões
E dei de cara com um pavão,
Adormecido!
Pego agora meu revolver d’agua
Meu estilingue
Recoloco a carga no tubo da minha caneta
Jogo fora todas as bolinhas de papel
E volto a brincar de ‘cabra cega’
Pulo amarelinha quando cansar
Essa história de brincar a dois não rende mais
Não sabe brincar?
Melhor não descer pro ‘play’...

Vera Celms