sábado, 30 de maio de 2009

VILÃO DO PEITO

Um vilão que nos acompanha,
Canta, conversa conosco ao luar,
Ao som de uma viola, que só um seresteiro conhece,
É então, um vilão, um seresteiro,
Embala, abranda,
E também nos faz chorar...
De saudade ou emoção,
Bate e chacoalha...
Nos faz dançar, deslizar sobre nuvens,
Patinar no gelo...
Subir e descer a rua em busca de nós,
Quando quem queremos, é o outro,
Quando quem queremos é aquele que amamos,
Nos alimenta a imaginação,
Nos acalenta a alma
Nos incendeia a fantasia,
Nos faz viajar entre mundos sem nem sair do lugar,
Criamos enredos, paisagens,
Saímos de zero a milhão em um segundo,
Entramos em viagens sem volta,
E permanecemos no melhor lugar do mundo,
No colo do amado, no regaço que pede o vilão,
Vilão amado, seria vilão?
Ou seria um anjo “torto”,
Um amigo infiel,
Um cúmplice descomprometido,
Alguém que só vive por você,
Que nem sempre tem a mesma opinião,
Que pode te faz sofrer, chorar...
Mas, que te ensina desde pequenino,
O que é querer, o que é desejar,
O que é amar!
Mostra vários caminhos,
Amores bandidos, ou incondicionais,
Nos permite felicidade... sempre...
Ainda que nem sempre o compreendamos,
Seja de que lado for... por que caminho for...
Desde que seja do lado do AMOR...
Do seu amor... na entrega total...
Ainda que as vezes o questionemos...
Ele é único...
Inegável...
E é teu... só teu coração...
E ele me diz hoje...
COMO TE AMO!!!

Vera Celms

domingo, 17 de maio de 2009

E O TEMPO JÁ PASSOU...


E ainda estamos aqui...

O mundo deu tanta volta,

A vida deu tanta volta,

Mas, um dia, o destino, o universo,

Permitiu que nos reencontrássemos,

Nossas vidas realmente deram muitas voltas,

Aqueles a quem juramos amor eterno,

Encontraram outros amores eternos,

Os caminhos se dividiram em milhares de opções

E dentre essas tantas, nos reencontramos,

Talvez, por generosidade da própria vida,

Meus filhos, assim como os seus,

Já perguntaram, quem são aquelas pessoas,

Lá no álbum de fotos, que olhamos com tanto carinho

Por quem nutrimos tanta saudade e nostalgia,

Mas a vida foi sim generosa... e nos permitiu uma nova oportunidade,

A idade chegou com a passagem do tempo,

Nossos cabelos vão rumando para a neve...

Nossos olhos já não vêem da mesma forma,

Ou nossas mentes é que já não entendem da mesma forma o que vêem...

Nossos rostos já carregam experiências tantas,

Algumas amarguras, algumas tristezas,

Muitas alegrias, lembranças além de nós,

Trazem no canto dos olhos os universos que conhecemos,

No canto da boca as palavras que nunca dissemos,

Na testa, a força das reflexões,

Resolvidas ou não, mas marcadas pelo próprio peso, nas linhas da nossa testa,

A pele já não tem o mesmo brilho,

Nem a mesma juventude,

O olhar talvez não brilhe tanto no dia a dia,

Mas talvez consigamos, nós mesmos,

Ver um no outro, aquele brilho que conhecemos lá longe,

No passado, nos olhos uns dos outros,

Por tantas conquistas, emoções, alegrias,

Por algumas frustrações, tristezas ou contrariedades,

Mas, nós talvez, por já termos conhecido,

Talvez consigamos reencontrar, ainda que por alguns momentos,

Nos olhos de nós mesmos...

Vamos nos reencontrar? Vamos nos dar uma nova chance?

Já que a vida nos permitiu...

Quem de nós (do passado) já não está mais entre nós?

Logo mais, poderemos não procurar mais quem,

Mas quantos...


Vera Celms

BEIJOS A TODOS OS MEUS AMIGOS TÃO QUERIDOS... SAUDADE...


domingo, 10 de maio de 2009

ORAÇÃO DE UMA MÃE AFLITA


Senhor,

Ouve por favor esta filha,

Que te pede com fervor...

Com a fé que vem da alma

Senhor,

Entrego nas tuas mãos,

Te peço com toda força

É que, no coração eu sinto...

Reconheço todos os recados deixados no caminho

E sei, que não teria encontrado tantos

Se teu amor não permitisse

Senhor,

Guardo este fervor para extremos

E agora chamo com toda a força

Senhor,

Permita que os anjos do caminho

Todos; direcionem todas as preces para a solução,

Estou com o peito em brasa

Com o coração nas mãos,

Olhos voltados para o céu

Pregados em oração...

Não me deixe no caminho, meu Pai...

Se o que te peço é muito, Senhor...

Espero merecer, de coração,

Conheço toda a minha imperfeição...

Não é pouca, eu sei...

Sei que meu coração tem sido duro

Mas sei, que só te peço o que há tanto procuro

E se havia tantas setas no caminho...

Agora, me leva até o final

Não solte minha mão,

Sou eu e dois anjos teus,

Em busca de paz

Em busca de tuas portas,

Que sei, são tantas... são tuas...

E nós, pequenos servos,

De coração puro, aberto...

Pedindo proteção ,

Procuramos tua mão, em busca da tua luz,

Senhor,

Permita-nos paz e felicidade... AMÉM...

Vera Celms


sábado, 2 de maio de 2009

O CARRO DE ELLIS

(baseado numa história, talvez não totalmente verídica, mas contada a mim, por uma cliente da Empresa onde trabalho, durante um atendimento através do callcenter)

Ellis foi a festa de 15 anos de sua sobrinha. Vestido de Tafetá de Seda Pura dourado, sapatos dourados, cabelo escovado, maquiagem impecável.
Chegou à porta do Buffet e logo veio o Vallet para estacionar seu veículo. Entregou a chave elegantemente. Dirigiu-se ao Salão da Festa e momentos depois foi chamada à recepção do salão, informando que seu carro havia sido roubado.

- Não! não foi roubado não, eu deixei a chave com o rapaz para estacioná-lo.
- Pois é Sra.Ellis, foi ele mesmo que sofreu o ataque dos ladrões, foram 7 carros roubados
hoje na rua de traz e o seu foi um deles.
- Mas como?
- Desculpe Sra.Ellis,tem seguro do veículo?
- Mas é claro que tenho!
- Então é necessário registrar um boletim de ocorrência sobre o roubo do seu veiculo. A
Sra.pode me acompanhar?
- Agora???!!!
- Sim, os demais proprietários também serão chamados para maiores detalhes.

E lá foi a Ellis, sobre seus saltos dourados, embalada em seu vestido dourado, receber instruções sobre o roubo de seu veiculo.
Lá estava também o rapaz que estacionaria seu carro. Um rapazinho aloirado, de olhos claros e pele clara, que neste momento, transformado pelo susto, tinha as pupilas aumentadas e a pele bem avermelhada.
O rapaz estava de fato apavorado, o susto ainda estava em sua respiração e ele permanecia mudo como quem tivesse visto fantasmas.
A rua estava alvoroçada, um andava de um lado para o outro sem nada dizer, porém soltava resmungos inaudíveis, quase que fumaça pelas orelhas. O outro xingava mesmo sem nenhuma cerimônia, palavrões que prefiro não repetir. O outro estava para explodir a qualquer momento e eu comecei a fazer piadas sobre o ocorrido, pois entendi que ficar nervosa em nada ajudaria e não traria o veículo de volta.
Fiquei um pouco chateada quando o responsável, ou dono da empresa de Vallets sugeriu que eu mentisse sobre quem conduzia o veículo no momento do roubo.

- Mas Sra., pediria somente que a Sra. dissesse que dirigia o seu carro quando foi roubado!
- Não, não vou mentir. O Senhor não tem seguro?
- Sim, mas vai facilitar bastante se disser que era a senhora que dirigia o veiculo.
- Não, não vou mentir, mentira tem perna curta e não vai longe, vai que vocês tenham
algum inimigo na vizinhança...

Bruno já conhecia de fato a vizinhança, o Buffet era de seu irmão Tiago, que sempre contava de dona Amélia, uma velhinha neurastênica de 92 aninhos.
Tão doce a Dna.Amélia, uma velhinha de 1:36 m, de olhinhos pequenos, cabelos grisalhos e rinsados em tom lilás... um docinho... até ficar brava, aí a baixinha virava um ser incontrolável e vingativo, segundo Tiago.
Quando a irmã de Ellis foi ao Buffet para acertar os detalhes da festa, estacionaram defronte a casa de Dna.Amelia que estava escondidinha atrás da cortina e não demorou a sair no portão olhando com ar de reprovação. Nada falou, nenhum cumprimento, nem em resposta ao cumprimento das irmãs. Só o olhar de desaprovação por sobre os óculos.

Tiago já teve vários problemas com Dna.Amelia que sempre esteve à postos nas noites de festas, além de todas as outras oportunidades.

Já arrumou briga com casais que namoravam encostados no muro de sua casa, com rapazes brigando na rua, com os próprios Vallets que estacionaram veículos defronte a sua casa e outros tantos momentos não menos impares.

Não foi a toa, que Tiago riu no momento em que Ellis falou sobre os inimigos do Buffet. A inimiga já era bastante conhecida, entrincheirada nos momentos mais estratégicos.

Era difícil brigar com Dna.Amelia, o que não era difícil, era que as pessoas se sentissem um tanto malvadas, por afrontarem a velhinha de aparência tão docinha... hummmm! De docinha não tinha nada.

Afinal o medo de Ellis tinha fundamento, mesmo que ela não soubesse dos motivos. Ellis falou num dos momentos:

- Tudo bem, vamos que eu diga que era eu quem dirigia o carro no momento do roubo; o
que poderia acontecer, se alguém tivesse presenciado ou observado a verdade?
- Mas quem teria visto?
- Olha só, eu sei que a velhinha ali do nr 37 parece bem vovózinha para qualquer maldade,
mas vamos que ela tenha visto e seja questionada sobre o que aconteceu... e fale a verdade...

De fato, no último assalto que houve na rua, a Dna.Amelia se prontificou em testemunhar o roubo, e acabou a Empresa de Bruno tendo de pagar caro por aquela intromissão tão inocente... ô velhinha chata!!! E a Ellis nem sabia de nada.
Ellis chegou a pensar mais de uma vez em mentir sobre aquela situação, mas não prosseguiu.
Até conseguiu, depois de muito tempo resolver a situação com a seguradora e recebeu o prêmio.
Uma noite, Ellis foi novamente a uma festa, naquele mesmo Buffet com algumas amigas, que resolveram estacionar o carro defronte a casa de Dna.Amelia. Ellis então pediu que as meninas estacionassem em outro lugar. Como o lugar estava cheio, teimaram e deixaram o carro ali mesmo.
Ao final da festa voltaram para o carro e encontraram-no com os 4 pneus vazios e o carro todo riscado. E como todo chato tem sempre um rival a altura. O guarda noturno da rua, sabendo do perfil da tal velhinha ficava de olho na movimentação dela e viu o que aconteceu. Sacou de seu celular com câmera e filmou todo o ocorrido.
Dona Amélia como uma menininha malcriada, com um prego na mão, foi de pneu em pneu e colocando-o na válvula, esvaziou cada um deles, e não contente, com o mesmo prego dava voltas e voltas no veículo com o prego na mão riscando a pintura toda.

Pedrão, o guarda, já cheio de tanta malcriação de Dna.Amelia resolveu denunciá-la na Delegacia de Polícia.

Dona Amélia foi chamada, apesar de seus 92 aninhos e sua “aparência doce”, a depor. Claro, negou tudo, mas ao ver o que tinham flagrado dela simulou um pirepaque e caiu, como se tivesse desmaiado.
O Delegado que já havia visto coisas demais por uma noite não deu importância ao seu pirepaque e deixou-a no chão, acho que por tempo demais.
No entanto, Dna.Amelia, teve uma parada cardíaca, talvez até pela idade mesmo e acabou morrendo na delegacia.
Os filhos foram chamados e nada reclamaram e até confidenciaram ao delegado que já esperavam por isso e que nenhuma queixa dariam, pois conheciam o perfil da “mamãe”.

- Dr.Delegado, disse o filho de Dna.Amelia, mamãe nunca tomou jeito, ruim ela foi desde
sempre. Já fez muito mal a muita gente, temíamos até por revide dos ‘molestados’. Que
bom que acabou sendo assim e não por agressão...

O Delegado inicialmente preocupado acabou aliviado.
A velhinha afinal sumiu!!! Foi o que todos da vizinhança acharam e a Ellis enfim entendeu que melhor do que resolver o roubo do seu carro rapidamente foi ter aguardado o desenrolar dos fatos e acabou até indo aos funerais de Dna.Amelia.

Afinal, Dna. Amélia, o feitiço virou contra o feiticeiro...


Vera Celms