domingo, 30 de agosto de 2009

MENINO LOBO



Doce aura prateada,

Felix o menino feliz...

Leve, livre, aventureiro,

Correndo de encontro ao vento,

Levado por sentimento,

Abençoado pelos Deuses,

Agraciado por todos os anjos...

De leves asas brancas flutuantes...

Amor Alado... anjo Alan...

De olhares crispados de faíscas brilhantes,

De pés calçados de nuvens,

De pensamentos viajores,

Leves como a bruma cintilante,

Que visita a praia sorrateira,

Ao luar, saudando a lua,

Menino Felix, o lobo menino feliz...

Tão feliz que ama o Anjo Alado...

Como ama a vida... como vive ,

Como ama o menino feliz!!!

Vera Celms


domingo, 23 de agosto de 2009

LUZ NEGRA

Fugiu,
Fez ares de quem não viu,
E dormiu...
Depois de tanto sonhar; sumiu,
Pra onde foi não sei... talvez... pra puta que o pariu...
Fez que ia voltar e foi...
Disse que vinha me buscar, nem oi
Me fez pensar em romance,
Quem o viu, disse que foi de relance...
Uma silhueta no escuro, uma nuance...
Simples, fugidia, vaga,
Uma sombra pela sala...
Talvez na curva da escada,
Palavras trouxe muitas, que mal soube escrever,
Com erros, tão chulas, dizendo de tudo saber,
Chegou, falou, tentou,
Tanto tentou, tanto falou, que em lugar algum chegou...
Só xavecou...
Com uma gíria tão própria,
Tão vazia quanto ilusória,
Falou de tudo como definitivo, mas a pauta era provisória,
Falou em seriedade,
Em sinceridade e honestidade,
E mais uma vez, pecou foi na hombridade,
Ih! Essa história eu já conheço,
Achou que com qualquer papinho estremeço?
Falei de fantasia, não de adereço,
Falei de atitude, não de endereço,
Afinal, homem tem de marcar presença,
Espero, um discurso que convença,
Ninguém para posar de bacana,
Querer convencer é atitude de ‘banana’
Quem convence, não precisa fazer força...
Pra mim, ou clareia ou é luz negra...

Vera Celms

domingo, 16 de agosto de 2009

AMIGO VIRTUAL



Não lhe conheço os olhos,

Não sei do calor da sua pele,

Seu cheiro, não imagino,

Sei que em algum lugar deve existir um elo,

Algo que liga nossa existência,

Por mais que me distancie lhe atraio,

Por mais que me distancie quero lhe atrair,

Posso não me importar com sua distancia,

Nem mesmo com a sua proximidade,

Mas, me faz bem saber que me procura

Que me quer,

Seu pulso viril se faz sentir,

No seu olhar virtual,

No seu pouco gesto,

Parece –me tão familiar sua silhueta,

Suas poucas palavras, não guardei,

Todas as minhas negativas, rebateu com um único talvez,

E abateu-as todas, de uma só vez,

Mas voltou... só não sei porque,

Nem por quanto, só tempo dirá...

Vera Celms


domingo, 9 de agosto de 2009

QUEM ERA, QUEM É?



NOTA: Quem conhece minha história, sabe que esta não é a realidade dos fatos ocorridos com o pai dos meus filhos... e os personagens deste conto não fazem parte da minha vida...
Grande parte deste conto foi inspirada no MEU PAI, que já não está mais aqui para que eu possa beijá-lo, mas o homenageio todos os dias da minha vida... Meu maior ídolo e meu maior fã!!! Valeu por tudo Sr.KARLIS CELMS, a você... seja lá em que estágio estiver... sempre, todo o meu RESPEITO e todo o meu AMOR...


Hoje pela manhã, enquanto tomava café da manhã lia meu jornal, como fazia diariamente. Li várias matérias, que me estarrecem, sejam quantas vezes eu leia. Guerras, conflitos, corrupção, política, violência nas ruas, violência em casa, com idosos, com crianças, além de outras tantas.

Varias situações protagonizadas por pais, leia-se aqui pai e mãe, ou os filhos, ou netos, ou parentes. Baseada nesta visão comecei a associar, que aqueles políticos, aqueles corruptos, aqueles agressores, além de tudo podem ser pais, e na verdade, na grande maioria são.

Igor já havia sido para a escola, o ônibus escolar passara havia uns trinta minutos. Depois que ele sai, fico mais a vontade para fazer as coisas com mais calma.

Comecei a pensar em Nello, meu marido. Fazia muito tempo que não parávamos para conversar de fato. Correria do dia a dia, e depois de 15 anos de casados, as coisas já não são exatamente como antes, quando tudo era assunto, quando tudo era motivo para passar mais tempo junto. Hoje, funcionamos meio que no piloto automático, acaba sendo tudo muito natural, sabemos como o outro pensa e encara determinadas situações e existe a confiança no outro de forma natural.

Temos 3 filhos, Igor é o mais novinho, com 8 anos, Mel com 12 e Tales com 14.

Pensava em tantas coisas ao mesmo tempo. O que precisava fazer antes de sair, o que preciso fazer quando voltar, além do próprio dia de trabalho.

Dentre tantos pensamentos, comecei a me lembrar de quando conheci Nello. Jogava Basquete, Futebol, fazia poesia, gentil, cavalheiro, atencioso. Era raro ele esquecer de alguma data importante, hoje com exceção do aniversário dos filhos, tenho de lembrá-lo de quase tudo.

Lembro-me que no primeiro aniversário de casamento, ele pediu que eu fosse buscar Fernanda, minha sobrinha no Shopping e a levasse para casa e quando voltei, ele tinha preparado um jantar romântico a luz de velas, esparramado pétalas de rosa vermelha por sobre a cama, preparado um clima romântico, com incensos e velas por toda a casa e me esperava com a banheira pronta, com sais, pétatas e velas. Foi lindo, foi maravilhoso, nem que eu viva cem anos, jamais vou me esquecer daquela surpresa.

Os anos foram passando e as surpresas foram rareando. Hoje fazemos sempre programas com os filhos, são eles que normalmente escolhem a programação de feriados ou finais de semana e acompanhamos. Muito comum estarmos a noite, as voltas com lições, ou ajudando em trabalhos escolares, conversando em família.

Sinto falta dos momentos a dois, do romantismo de antes.

Hoje vejo como ele não era tão bom jogador nem de basquete nem de futebol. As poesias ficaram no passado... Achava ele tão politizado, corajoso... hoje vejo que não é tanto como eu via.

Entretanto, lembro de meus pais. Minha mãe falava da mesma forma que eu, e confessava, que de certa forma, tinha ciúme da atenção que meu pai dispensava a mim e ao meu irmão, e que chegava as vezes a se sentir sozinha.

Os tempos são outros. As atribuições que tenho hoje não são nem de longe comparáveis as que a minha mãe tinha naquela época, cuidando somente da casa e dos filhos.

Tenho amigas que se separaram e os ex maridos simplesmente sumiram, ou mal aparecem para ver os filhos. São raros os ex maridos hoje, que não são também ex pais.

Hoje foi criada mais uma classificação, as(o) PÃES, que são aqueles que após a separação exercem a dupla função.

Abri uma espécie de debate outro dia, e questionei dos meus filhos o que eles mais gostam no pai deles e me surpreendi com a resposta, não por estranhar, mas pelas coincidências.

Tales disse que o Velho dele é muito legal, pois é um dos poucos pais que conversam com os amigos dele, que topa jogar um basquetinho com a turma, que brinca com o pessoal, que fala de mulher com eles, afinal, que troca figurinha com a galera. “O Velho, tem uns toques bem legais, me passou uns sites de musica, vai a show de Rock com a gente, vai buscar a gente na balada... dá uns toques firmeza sobre como tratar as meninas...o Velho é o Cara... “

A Mel me disse que o pai dela é muito legal, não tem essas frescuras de machista, vai com ela e as amigas ao Shopping, vai buscar na balada, dá uns toques legais sobre os meninos, conversa sobre qualquer coisa com ela. “O Pai me ajuda com a matemática, com ele eu entendo a matéria, outro dia ele ajudou a Carlinha também. Falou pra Isabel outro dia para ela dar um gelo no Tadeu, e deu certo... além do que, o Pai é um gato... não trata a gente como criancinha... todo mundo gosta dele...

O Igor sonha com o pai, em histórias de aventura completa, o pai sempre está pulando de grandes alturas, em cordas, em motos, em carros envenenados, no meio da selva ou do deserto. Matando bandidos, monstros, perseguindo índios ou domando animais bravios. Isso pode ser até em função das estórias que Nello inventa enquanto brinca com ele, com aqueles homenzinhos, soldadinhos, carrinhos de corrida, enfim, ou na hora de dormir.

Nello sempre foi muito bom em inventar enredos geniais para as crianças, desde sempre. Os três filhos sempre ouviram muitas estórias contadas pelo Pai... Igor adora quando Nello o coloca nos ombros na piscina para ele pular na água, ou quando joga bola de papel com ele, ou empina pipa logo após fabricá-las, ou quando brinca com ele e o Bumer, nosso cachorro. “Papai sempre inventa umas brincadeiras daóra... quando a galera vem pra cá, ele tem sempre umas coisas legais pra gente fazer, me dá a maó força na escola, nunca falta nas festas da escola, quando você não pode ir ele sempre vai nas reuniões. Pega no meu pé, mas também é porque eu apronto, né!!!

Foi então que eu associei tudo aquilo que sempre gostei nele e notei que é exatamente o que ele faz para as crianças, que eles gostam tanto.

Afinal, todos nós mudamos ao longo da vida.

Aquilo que já gostei muito, hoje posso nem gostar tanto, não só em relação a família, quanto a todas as outras coisas da vida. Isso não significa exatamente que ele mudou, pode ser que só não faça tanto as mesmas coisas, ou eu não esteja notando tanto, como notava antes.

O que me prova que ele não perdeu aquilo tudo que sempre admirei nele... ele continua sendo criativo como no tempo em que fazia poesia pra mim, continua sendo bom jogador de basquete e de futebol tanto que pratica com os filhos sempre que pode, ainda gosta de ensinar e de matemática, sempre muito sociável, agradável e cortês... e continua sendo um gato...

Diferente do que aqueles pais que somem ou são ausentes, despreocupados, descomprometidos, ele está sempre presente, participa de todas as atividades familiares, propõe outras tantas, é um companheiro, um amigo para todos nós, um cavalheiro sempre, um chefe de família respeitável. Um HOMEM com todos os predicados essenciais.

Mas, acima de tudo, ele é da galera, é o cara, um herói, um protetor, um conselheiro, um contador de estórias, um brincalhão. Pega no pé de quem apronta, ensina tudo o que aprendeu de bom na vida. Ama, sofre, dá colo e pede colo, puxa a orelha, vai as reuniões da escola, mas nas festas também, joga bola, faz e empina pipa, dá remédio. Fica triste as vezes, mas tira a gente de cada roubada... apazigua o coração da gente, dá tudo o que pode e as vezes até o que não pode, só pra ver a gente feliz...

ASSIM É UM PAI... esse foi meu pai e avô dos meus filhos, melhor exemplo que eles carregam pra vida... FELIZ DIA DOS PAIS, A TODOS QUE SE IDENTIFICARAM COM TUDO, COM MAIS OU COM PARTE DISSO... A TODOS OS PAIS AMOROSOS E PRESENTES... A TODOS (AS) OS PÃES,(como eu) PARABÉNS... aos que não são, sempre é tempo de reconsiderar... Vera Celms


domingo, 2 de agosto de 2009

COMPONDO O FINAL DO VERÃO...



Abri o dicionário ao acaso, corri os olhos...

Sem muito pensar, encontrei a palavra emoção,

Lembrei de alguém que conheci, numa aurora do final de um verão,

Fechei e novamente abri ao acaso,

A palavra, agora foi atenção,

E a mesma figura me veio a mente,

Sem pensar fechei, e novamente ao acaso,

Encontrei carinho... e, como que tomado por um sonho,

Deixei o pensamento me levar desta vez,

E a figura foi novamente se formando diante de mim...

Fui então incorporando a um sonho de tanto tempo,

Encontrei um Flamboyant... lindas flores vermelho coral,

Pensei então na Princesa dos sonhos medievais,

E novamente encontrei a mais bela...

Então, como um falsário, que cria uma jóia ‘real’

Idealizei um coração,

E como um quebra cabeças, juntei cada peça,

E no fundo dos meus sonhos, a minha Princesa era a minha namorada,

Que trouxe dos sonhos, dos Flamboyants, da era medieval,

Como inspiração, vivida a cada dia, todo dia,

Na beleza Real de um sonho... do sonho ideal,

Da figura ideal,

Na perfeição de um sonho sonhado a dois,

Na medida perfeita, na doçura completa,

No outono do seu olhar,

No resplandecer de um novo dia, nascido naquela aurora do final de verão,

Encontrando no calor do abraço, no entardecer,

A tradução exata... não mais agora a Princesa,

Mas a MULHER dos sonhos meus...

Vera Celms