segunda-feira, 29 de março de 2010

KULDIGA - A LINDA TERRA NATAL DE MEU PAI NA LETÔNIA

FESTIVAL DA RECORD - INTERVALO COM RANDAL JULIANO, CIDINHA CAMPOS COM CHICO BUARQUE 1967

PERDEU



Conquista-me,

Atraia-me pra luz, qual inseto,

Voaria em torno da sua luz,

Por toda uma eternidade,

conquistada,

Ainda que a eternidade fosse por demais efêmera.

Entretanto, ameaçada,

qual inseto, procuraria abrigo seguro,

fugiria, me esconderia na escuridão,

sairia do seu campo de visão,

Fugi, camuflada nas pregas da cortina,

na estampa,

Talvez tenha saído pela janela,

despercebida,

fingi-me de morta,

na partida...

Uma mulher de verdade,

Não se entrega só por palavras,

Conquista-se pelo perfume,

Pela aragem que passa,

atravessando a presença do amado,

Pelo cheiro de seu corpo,

Pelo movimento de seus cabelos,

Pelo toque de suas mãos,

Do corpo no corpo, apaixonadamente,

Nenhum ato heroico é preciso,

Só sutileza...

Só autenticidade,

Só verdade,

Traduzida no olhar dentro dos olhos,

No querer ficar perto, junto, dentro,

Do permanecer mesmo na ausência...


Vera Celms



domingo, 28 de março de 2010

MANEQUIM DE PADARIA



Fotografo minha imagem,

No espelho,

Nas lentes,

Das câmeras, dos óculos,

Dos binóculos,

E encontro traços desgastados,

Pelo tempo, pelo cansaço,

O palor de quem não ostenta,

De quem não se alimenta,

Nem só de versos eu viveria,

Seria puro prazer,

Viver de prosa e poesia,

Mas, quando as forças faltam,

Nem a poética flui,

Deixo de ser lírica,

E fico pútrida,

Quando não estou nutrida,

Deixo a devassa e fico pudica,

Que graça tem?

Acinzentada, com sorriso amarelo,

Cabelos desgrenhados,

O tônus da pele caÍda

A aparência de quem está sempre mal acordando,

Preciso deixar essa vida,

De café com leite e pão com manteiga,

Afinal a natureza é muito mais,

do que a padaria da esquina.


Vera Celms


domingo, 21 de março de 2010

INDIFERENTE


Vamos fazer um trato,

Eu te deixo pulular,

Procurar novos horizontes,

Saltitar, pular de galho em galho,

Não vou considerar traição,

Não vou te acusar de nada,

Faço um contrato com o tempo,

Pelo tempo que quiser,

Me deixa aqui, sozinha,

Alma, pele e pulsar,

Sem ossos, sem carne,

Só arrepios, sensações,

Sonhos,

Somente sonhos,

Róseos como meus seios,

Como meu segredo,

Leves, finos, sutis,

Uma canção feita para ninar os anjos,

Somente calma,

Somente alma,

Que plana, que levita, que volita,

Como personagens da noite,

Como fadas,

Como fantasmas,

Mas aí perde a graça né?

Se não for passional,

Se não for intencional,

Se não for infernal,

Então, me dê afinal, licença para só te esquecer...

Simplesmente, indiferentemente.


Vera Celms


domingo, 14 de março de 2010

A NATUREZA


Criação divina,

Beleza, pureza, natureza,

A sincronia é perfeita,

A perfeição é única,

A maravilha é celestial,

O ciclo da vida acontece,

Germina, brota, cresce,

Floresce, frutifica, gera semente, morre...

Mude alguma coisa no processo

E o ciclo quebra,

E a vida quebra,

Agride a vida e ela morre

A natureza muda,

A beleza in natura,

A violência a todos agride,

A quem anda, a quem germina,

A quem voa ou nada,

Ou a quem não se vê,

Mas é sentido,

Pela respiração, pela pele,

Que mata a sede e nutre,

Que hidrata e mantém a vida

Ou que a espalha como semente,

Ou que aquece e queima,

Que arde como dádiva ou como crime,

A natureza usada contra a natureza,

A natureza, pela interferência humana,

Alterada, alquebrada, desrespeitada,

A fúria da natureza descompensada,

Sem fúria, sem violência, sem intenção

Mas não menos devastadora

Vera Celms