segunda-feira, 28 de junho de 2010

DIA DE JOGO


Festivo?

Noite de insônia,

Farta, dolorosa e persistente,

No amanhecer,

Sono, muito sono,

As nove horas, a vuvuzela canta...

Impassível,

Dia de jogo do Brasil,

Dia de festa...

E eu que não durmo,

E eu que nem gosto normalmente,

Me rendo ao Galvão,

Me rendo ao apitaço,

Ao buzinaço,

A toda encheção de saco,

E vou gritar Gooool

Como se não fosse eu,

Amanhã eu durmo...

Vera Celms


UM TEXTO DO RIVA, LEÃO QUERIDO... COM BEIJOS

Com gosto de chocolate ***

Vim fazer-te uma visitinha,
sorrir um pouco com teu riso,
chorar outros tantos pesares,
misturar alegrias e tristezas,
combinar amores e olhares.
Me perder em teu doce colo
no aconchego que preciso
e quem sabe até tomar
um chazinho de juízo;
porque perdi ele todo
desde o último amor vivido.
Uma visita breve (talvez),
embalada em mansidão,
querendo um pouco da paz
que há em teu coração.
Querendo te experimentar,
pra sentir o gosto que tens;
se és feita de chocolate
ou de sabor que ainda vem.

Talvez me demore ou fique
e me eternize em ti.
Veja o mundo de outro jeito,
de um modo que nunca vi;
com gosto de amor perfeito !

***À você, Leoa

domingo, 27 de junho de 2010

ARTICO



Ele sempre vem…

Impassível,

Inabalável,

Insensível

E invisível se instala...

Rodeia, observa e se lança,

Debruçado nos seus ombros,

Sentado no gélido balanço diante de você,

Balança as pernas sorridente, sarcástico,

Toma conta do ambiente,

Te envolve como um amigo,

E te faz tremer

Mudar de cor,

Quase endurecer!

E fica, simplesmente fica...

Com você, em você,

E de repente, você se transforma num iceberg aflito, inquieto,

E foge, em busca de pelo menos um momento quente,

Um raio de sol,

Uma bebida “fervente”,

Ou simplesmente mais uma manga, cachecol, cobertor,

Inverno tórrido...

Ou, simplesmente um ar-condicionado descompensado...

Mas, principalmente no inverno,

O frio... ele sempre vem...


Vera Celms


sábado, 19 de junho de 2010

A JOSE SARAMAGO


A matéria descansa inerte,

Morto está o corpo,

A alma vive,

Ainda tão próxima,

Ainda em torno,

Um pouco insana,

Um pouco insone,

Incrédula da verdade,

ainda que diante dos olhos,

difícil ver o ente a chorar

difícil de acreditar,

Mas vida expirou,

O coração parou,

O frio passou,

Só o corpo ali ficou,

Trágico,

Sem dores,

Sem sensações,

Sem movimentos,

Sem reações,

Sem presença,

Ali, só ali...

Parafraseando, justo agora, Saramago,

“O ruim de morrer,

É estar

e no momento seguinte

não mais estar...”

E, ainda assim ter de continuar...

Que Deus o ilumine Saramago,

E que os amigos espirituais o conduzam,

Obrigado por tudo MESTRE!


Vera Celms


Na Ilha por Vezes Habitada

José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

MORRE JOSÉ SARAMAGO... MEUS RESPEITOS, MINHA IDOLATRIA, MINHAS HOMENAGENS HOJE E SEMPRE...FARÁ MUITA FALTA AO MUNDO...




domingo, 13 de junho de 2010

OBSERVATORIO SEGURO


Lá fora o vento ,

tudo move, enlouquecido,

Aqui dentro,

nada se move,

nada em mim,

O frio da noite junina,

A segurança e a desolação,

Saber que ir lá fora,

nada vai mudar,

A chuva não vai parar

O frio não vai diminuir,

O vento não vai desistir,

Querer ganhar o mundo todo,

e não ter pernas

para explorá-lo,

não ter fôlego para olhar em torno,

não ter mobilidade para o mundo abraçar,

não ter como correr,

nem como ficar,

não parar em pé

sem chorar...

Houve um tempo

Em que era guerreira,

Sou hoje a caça,

Içada por um anzol,

Mantida fora de combate,

Espreitando a vida

Pelos aros de uma gaiola,

aberta, pela qual não posso mais voar...

Houve época em que não podia,

mas não tinha asas,

hoje, tenho a liberdade,

mas, as asas mutiladas...

Agora, tenho de reinventar a vida,

em sonhos,

e reaprender a sonhar...


Vera Celms