segunda-feira, 30 de agosto de 2010

TEU SORRISO



Passagem de ida ao paraíso.

Quando vejo você chegar,

É seu sorriso que vem na frente,

Abrindo alas, clareiras, idéias,

Mudo todos os meus planos,

Perco meu rumo,

Esqueço a direção,

A única visão que tenho,

É a constelação enfileirada,

que vem da sua alma

pelo céu da sua boca,

se prontificando a me receber,

a me confortar,

e a me enlouquecer,

Não resisto a tantas estrelas alvas,

Brilhantes,

Perfeitas,

Postadas entre seus lábios,

Que eu tanto quero beijar,

sem descanso, sem trégua,

Seu sorriso é um convite a perdição,

Mas é um resgate por convicção,

Pura sedução,

Por um sorriso seu,

Enfrento qualquer desafio,

Altas marés, tempestades,

Raios e trovões,

Enfrento feras e fantasmas,

Corro contra o tempo,

Supero o relógio,

Minha biruta aponta o norte,

Meu sorriso se abre pelo seu,

Existe por ele,

Evolui por ele,

E se manifesta feliz,

Seu sorriso é a senha,

É um mantra que meu sorriso gravou,

É a chave que abre minhas portas,

Que fecha meu corpo,

Que abre a festa,

Como uma orquestra de anjos,

Como o sol que inicia a minha manhã,

Que inaugura a primavera,

Depois de ter me aquecido no inverno,

Teu sorriso é a expressão do céu,

Teu sorriso é você pra mim...

Vera Celms


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CUIDADOS



Um ombro,
Um peito,
Um abraço para apertar,
Pra me perder,
E me achar,
Perder o olhar no nada,
Deixar sensações tomarem
Os sentidos,
Os olhos,
Os ouvidos e o pulsar,
Me abandonar no colo,
Deixar as lágrimas correrem,
Mansas, mornas,
Despreocupadas,
Até que delas brotem um sorriso,
Pequeno, tímido,
Sorrateiro, sussurrante,
Preciso de um abraço,
De um colo,
De um regaço,
De alguém que cuide de mim,
Que me proteja,
Que esconda de mim,
A dureza da vida,
O asco do desconforto,
O sangue escorrendo,
Apesar da dor,
Os fios descascados,
Ainda que o choque seja inevitável,
Mas que me ampare,
Que me acolha,
Ou me embriague,
E que abrigue meus anjos todos,
Enquanto os meus demônios estiverem presentes,
Preciso de alguém que me ofereça,
Calor, toque, ternura,
Que me deixe ser valente,
Enquanto estiver aquecida,
Preciso de uma xícara de chá quente,
Um prato de sopa,
Um pedaço de pão,
Um banho morno,
Lençóis alvos e travesseiros macios,
O resto eu faço,
Mato, morro, faço e aconteço,
Se preciso enlouqueço,
Dilacero,
Acelero,
Mas quando voltar da guerra,
Me espere com um escalda pés,
Um analgésico, um curativo,
E um remédio pra dormir...
Um tantinho de camomila e alfazema,
E no dia seguinte, estarei pronta de novo,
Com as armas em punho,
Os argumentos todos prontos,
O coração aberto,
As mãos em posição para te massagear,
O corpo, a alma, o ego,
As barreiras todas montadas,
As trincheiras cavadas,
As estratégias traçadas,
Os mapas, a bússola, o GPS,
A comida sobre a mesa,
A poesia no olhar,
As palavras no papel,
Ajoelhada, em oração,
Pedindo proteção,
Defesa elaborada,
Jurando lealdade...
Meu amor!

Vera Celms



domingo, 15 de agosto de 2010

SUTILMENTE


Há pressa em mim,

Algo de urgente,

Emergência,

De inquietude,

Algo que me move

Numa sintonia fina,

Com o sensível,

Com o impalpável,

Com o etéreo,

Saber sentir,

Incorporar emoções,

Sensações, importâncias,

Toques, pressentimentos,

Presságios,

Posso sentir a sua respiração,

A sua ânsia,

Posso sentir você,

Como sinto a mim,

Na pele, nos olhos,

No suor das mãos,

Na sola dos pés,

No toque dos dedos,

No imaginar,

No suspirar,

E no levitar,

No dormir e no sonhar,

Vou aí te buscar,

Com a mesma urgência,

Atraída pela sua alma,

Vibrando na mesma sintonia fina,

Com o sensível,

Com o que é impossível ver com olhos,

Mas, com o coração,

Sutilmente...

Vera Celms


domingo, 8 de agosto de 2010

AO MEU PAI, KARILIS CELMS




Você nunca foi essa pessoa,

Presa a convenções,

Imobilizada por mutilações,

Preocupada com aglomerações,

Nunca carregou bagagem demais,

Nada que prendesse o passo,

Que impedisse o movimento,

A mudança,

Ou a transformação,

Você nunca foi essa pessoa,

Que todos esperam,

Mas também nunca deixou de ser desejada,

Mas, sempre que chegou aconteceu,

Já foi sim, mandado embora,

Já foi gentilmente convidado a se retirar,

Já foi expulso, recebido a tiros pelo inimigo,

Mas, sempre saiu por cima.

Na guerra conheceu a inocência punida,

Matou pra não morrer, soldado,

E fugiu da injustiça, menino,

Você nunca foi essa pessoa,

Que precisa de convite pra aparecer,

Que precisa de cerimônia para permanecer,

Que se faz de desentendida pra se fazer entender,

Você sempre foi essa pessoa,

Pronta pra tudo,

Disposta pra todos,

Preparada para qualquer situação,

Interessada em tudo aprender,

Ou ensinar,

Criou, inventou, demoliu e construiu,

Abriu clareiras com as mãos nuas,

Buscou novos caminhos,

Conheceu novas pessoas,

De bem com a vida,

Com obstáculos a transpor,

Com vida no sorriso,

E sorriso no olhar,

Com força nos braços para o trabalho,

E doçura no toque a acarinhar,

Com colo e ombros amplos

Com peito valente e duro,

Capaz de amar e perdoar,

Mas com discernimento pela razão

Passível de pecados, ser humano,

Com mão benevolente, condutor

Por isso, sempre tive tanto prazer,

Em chamá-lo de verdadeiro amigo,

Minha inspiração,

Meu exemplo,

Meu porto seguro,

Meu pulso firme,

Minha âncora,

Meu referencial,

A minha maior tradução de saudade,

Meu fã,

Meu ídolo absoluto,

MEU PAI...

Que hoje homenageio em prece,

Elevando meus melhores pensamentos,

Meus mais puros sentimentos,

Minhas mais fortes e luminosas vibrações,

Agradeço sempre a Deus, sua filha,

Espero, de verdade um dia te reencontrar.

Esteja com Deus sempre,

No melhor caminho de luz...

TE AMO...

Vera Celms


POESIA DANADA


Quis fazer uma poesia leve,

Como vento brincalhão

Não fanfarrão,

Quis com as palavras brincar,

Saiu uma poesia vulgar,

Dessas que não mentem,

Mas que não vertem,

Idéia nenhuma,

nem fora do lugar,

Mas nada disse,

Nada que redimisse,

Nada que remetesse,

Nem que retribuísse,

nada traduziu,

Nem inspirou,

Ficou um bate daqui,

Bate dacolá,

Batendo bola de lá pra cá,

Ficou levinha,

E tão pouco aderente,

Mas ficou bem transparente,

Ficou sacaninha,

Não safada,

Só não disse nada,

Pensando bem,

Ficou como um ventinho,

Um quê descomprometida,

E descontrolada,

Até que ficou gostosinha a danada!

Vera Celms