domingo, 27 de março de 2011

SÃO PAULO, MINHA TERRA

Já foi a terra da garoa

Hoje, já é terra das tempestades de verão

Das enchentes, dos congestionamentos

Falta tudo, falta até educação

Por outro lado tem de tudo,

Trabalho, cultura, industria, comercio e diversão

Esta Terra é um mundão

Difícil até indicar um só sotaque

Com gente de tanto lugar

Difícil identificar

Cada bairro um país

Liberdade, sucursal do Japão

Campo Belo, Vila Zelina, só tem alemão

Bom retiro; judeus, coreanos, bolivianos

Enfim, espanhóis, nigerianos, portugueses

São todos hoje, uma só grande nação

Começaram a chegar na colonização

De imigrantes, só aumentou a população

Gastronomia rica, a mais diversificada do mundo

Esta terra nunca dorme

Tem trabalho dia e noite

Em todo lugar tem janelas acesas a noite inteira

De manhã, na ida ao trabalho uma grande zoeira

Ônibus lotado de montão

Carros nas ruas, motos e bicicletas

Andar nas ruas é uma árdua tarefa

Cruzar a cidade é uma viagem

Que se faz todo dia pra trabalhar

São Paulo não pode parar

Tem escola de samba, batidão e discoteca

Tem sinfonia, forró e tango; uma mistureba...

Fumaça, buzinas, alto-falantes,

Marreteiros, plaqueiros,

Lojas, açougues, shoppings e livres feiras

Museus, cinemas, teatros e barraqueiras

Pedintes, moradores de rua e até muambeiras

São Paulo é uma loucura

Encontra-se qualquer coisa que se procura

Seja bem pertinho ou na lonjura

Belos pores de sol se arriscam

No meio dos arranha-céus

Nos esportes, muitas medalhas e troféus

Igrejas, federações e políticos

Sorveteiros, atores e vagabundos ao léu

Tem policia, cidadão, ladrão e réu,

Tem parques maravilhosos na Aclimação e no Ibirapuera

Tem metrô cruzando a cidade por baixo da terra

Tem Sapopemba, Jabaquara e Itaquera

Tem Estádios no Pacaembú, no Parque Antártica e Morumbi

Tem Bela Vista, Boa Vista e até Pari

Aeroporto de Congonhas e Cumbica

Tem carro importado, mas também tem chimbica

Tem muito sol, muita chuva, muito frio,

Tem rodovia, muita rua e Avenida Marginal de rio,

São Paulo podia ser a capital do mundo,

Não, São Paulo já é um mundão...

Amada, idolatrada salve, salve...

São Paulo, ame-a ou ame-a...

Ou deixe-a...


Vera Celms

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A obra SÃO PAULO, MINHA TERRA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 21 de março de 2011

21 DE MARÇO


DIA DA POESIA. UM DIA A SENTIR...



domingo, 20 de março de 2011

DELIRANTE

Personagem da vida

Com expressões desmedidas,

tão particulares

Conheço-as todas

Singulares, íntimas,

Tão minhas,

Sou eu remanescente do conflito

Da guerra que foi

Resistir impassível

A tanto empecilho

A tanto obstáculo imposto

Ao tanto que te busquei

Por tantos lugares

Tanta história que ficou na história

Tanto desejo que ficou por contar

Tantos planos que não alçaram vôo

Tantos projetos que não foram nem vistos

Tanto sonho que você nem soube

E nem saberá

A menos que seja através dessa personagem delirante

Da vida que ficou alem de você

Do que poderia ter sido, não fosse passado

Do que você nem quis saber

Do que a sua razão esmagou com um só pé

Deve ser por isso que prefiro o delírio, sozinha


Vera Celms

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domingo, 13 de março de 2011

BATEM À PORTA


Não era a primeira vez
Que batiam a porta
Não era a primeira vez
Que ao abrir ninguém achava
A não ser o vento gélido da madrugada
Que zunia pelas frestas
E fazia com que até as arvores se abraçassem
Curvadas de medo
E sempre à mesma hora
Passado um pouco da meia noite
Noite limpa, lua alta
O frio de cortar a pele
Anunciava quiçá uma tempestade
Primeiro achava que fosse a porta
A estremecer com o vento
Mas se isso fosse
Também estremeceriam as janelas
Mas, a batida era certa
Era batida insistente e forte
Decidida, de quem quer entrar
Ou saber quem está
Dormindo, espreitando, esperando
Era batida de quem quer bater
E sobressaltar,
Assustar
E se motivo houvesse; chamar
Mas não há ninguém lá
Nunca há ninguém lá
Atrás da batida,
Forte e resoluta
Nenhuma alma, nenhuma absoluta
Ninguém a esperar
Talvez a se esconder corresse
Talvez ao chamado respondesse
Mas, aonde coloco o medo?
Conhecidos por aqui, conta-se a dedo
Melhor eu me fingir de morta
E nem pensar em abrir a porta
Voltar pra cama como quem não ouviu
E confiar de que ninguém ainda me viu
Posso até não dormir
Mas a porta, não vou abrir
E ela tremeu a noite inteira
A situação ficou corriqueira
Sempre no começo da madrugada
Quando apago as luzes da casa
Fico escondida lá dentro
E jamais fiquei sabendo
Se é o vento ou malcriação
Mas, da cama não saio mais não...

Vera Celms

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segunda-feira, 7 de março de 2011

INQUESTIONAVEL SONHO



Adormecida, povoo o seu passado
A sua memória mais remota
A sua lembrança mais presente
O seu pulsar mais imediato
A sua fantasia
Visito seu sonho
Vigio seu desejo
Toco a sua vontade
Acompanho seu dia
No seu pensamento
Resido na sua dúvida
E habito escondida a sua certeza
Sou parte da sua culpa
Um flash remoto
Que move sua mão
a esconder a excitação
Impossível negar que eu existo
Um pesadelo recorrente
Um fato na sua vida
E como tal, jamais poderá ser apagado
Relevado só quando você quiser
Sou um faz de conta
Embaixo das suas pálpebras
Anônima na sua conveniência
Uma diminuta frustração
Mas, inquestionável sonho

Vera Celms

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