domingo, 28 de agosto de 2011

CEDENDO LUGAR

De repente, levantou-se
e saiu a correr
Aflita, desesperada,
Descompensada corria
Em torno da sala vazia
Ninguém para assistir
Ninguém para acudir
Não havia ninguém pra socorrer
E não parava de correr
Chorava copiosamente
Era já uma louca, demente,
Tantas voltas deu na sala
Já não podia mais contar
Nem agüentar
De repente, desmontou
No meio da sala desmaiou
E lá mesmo ficou...
Não mais acordou...
E eu nem pude alcançar!
Foi quando você chegou...
Foi então pra você, meu amor
Que a saudade deu lugar...

Vera Celms

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A obra CEDENDO LUGAR de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.


domingo, 21 de agosto de 2011

FIEL DEPOSITARIO DE BORBOLETAS

Meus sonhos e suores,
Meus planos viajores
Planam na sua lembrança
Amplas asas
Que carregam tufões
Vulcões vivos
Histórias e lendas
Encobrem falhas, rejuntam fendas
Amplas asas
Que abraçam anjos
Alargam meu peito
Soltam amarras
Quebram grilhões
Amplas asas,
Não fossem elas somente as borboletas,
que voam desordenadas,
dentro de mim,
cada vez que penso em você...

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra FIEL DEPOSITARIO DE BORBOLETAS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.



domingo, 14 de agosto de 2011

ASSOCIANDO AO PAI

Associo a figura do pai,
Coragem, força e determinação,
Responsabilidade, assertividade, afetividade,
Amor, resignação, doação,
São tantos os adjetivos, para uma única figura
A mão firme que ampara,
Que guia, que acena, que orienta
A mão que espera o primeiro passo,
O primeiro vacilo, pra conduzir ao equilíbrio
Voz que chama a atenção, que anuncia o perigo
Que aclama a conquista e festeja junto
Que chora junto ou escondido,
Mas, que assume a bronca na razão
No peito de um pai, um escudo invencível
Em seu colo, um abrigo seguro
Nos braços de um pai, ressona-se na tormenta
Desperta-se na incerteza, vigia-se na dúvida
Para um pai não há distância,
Nem para um abraço, nem para um chacoalhão,
Nos olhos de um pai, a beleza e a realidade convivem
A certeza e a esperança são amigos próximos
O hoje e o amanhã são recheados de passado
De uma vida inteira...
Na lembrança do pai morto, tanta saudade!!!

Vera Celms

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A obra ASSOCIANDO AO PAI de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

NA MOBILIDADE DOS REFERENCIAIS

imagem colhida na INTERNET


Até hoje os referenciais para medir a idade mental de um cidadão, além da cronologia, eram por exemplo, as musicas que tocavam nas rádios, logo em seguida nos MP3 e em outros formatos, nos celulares, nas rádios online.

Era o cheiro do álcool nas copias extraídas por um mimeografo, logo em seguida nas copias extraídas por uma impressora que nos obrigava a esperar alguns instantes para que a impressão não borrasse ao toque da mão.

Eram os produtos anunciados nas propagandas de TV, logo em seguida de N produtos anunciados pela INTERNET em virtuais atropelamentos.

Eram os gizes de cera, seguidos pelos lápis de cor, fossem de 6, 12, 24 ou 36 cores, logo em seguida pelas TROCENTAS MIL cores das impressoras digitais.

Eram as câmeras “PLIC PLAC” (câmeras do tipo caixinha que faziam muito barulho ao clicar), seguidas das automáticas, das descartáveis e logo em seguida das câmeras de alta definição a pixels.

As brincadeiras infantis, que variavam de corda, de anel, de pião, de questionários e logo em seguida dos jogos de computador, das lan-houses, da pulseirinhas auto-significativas.

Das guloseimas infantis, dos chicletes de tutti-frutti ou hortelã, para os recheados de melancia, melão, para os doces de umbu, de cajá e logo em seguida dos trilhares de sabores de chicletes, das substancias que mancham as línguas, dos sabores moleculares.

Das cartilhas, tabuadas, livros de todo tipo de instrução elementar das mais variadas matérias logo em seguida das linguagens de conversação virtual – leia-se aqui, o MSNês, o SMSês – e os livros didáticos que defenderam como correta a forma falada do idioma no aprendizado do idioma escrito.

Das paqueras nos bailinhos, das amizades coloridas, dos namoros, noivados e casamentos, todos bastante carregados de romance e encantamento para logo em seguida as disputas de quantidade de indivíduos beijados numa única balada, das ficadas, dos namoros, que viram compromissos em pouco tempo e que dão direito a mudança de status nas redes sociais.

Do respeito havido por pessoas do mesmo sexo que se relacionavam, ainda que tivessem de manter em absoluto sigilo, por medo de represálias por intolerância logo em seguida pela “aceitação legislada” que “admite” a união homoafetiva, desde que ambos “sobrevivam” aos ataques homofóbicos que não são punidos com rigor por falta de estrutura policial/política.

Dos celulares tijolescos com funções básicas e baixo sinal de telefonia logo em seguida dos celulares altamente tecnológicos, cuja função telefônica é secundária, que expedem mensagens de texto, imagens, filmes, gifs, transmissão e recepção de dados, cabeadas ou não cabeadas, conectadas ou não a um computador, em internet discada ou por rede sem fio publica ou desprotegida.

Enfim, como podemos observar, a geração que inicia cada um dos parágrafos acima, estão realmente velhos... não há o que discutir, pois a cronologia atesta, só que a geração que termina cada um dos parágrafos, ficam velhos todos os dias, de forma muito mais avassaladora, pois o próprio desenvolvimento e evolução da tecnologia os fazem sentir-se obsoletos e ultrapassados a cada dia, a cada semana, a cada atualização ou lançamento da industria da tecnologia.

Cuidem-se todos, dessa nova geração de velhos que se anuncia, pois quantas mais forem as atualizações perdidas, mais difícil será acompanhar cada passo.

Quanto a aqueles já velhos, leia-se aqui aqueles que se incomodaram em aprender como se faziam as coisas mais elementares de forma basicamente correta, não se preocupem, a tecnologia que nos baste para cumprir as necessidades de desenvolvimento das nossas atividades, jamais nos será ultrapassada.

É ou não é uma corrida contra o tempo? Em tempos diferentes, é claro!!! É impressionante como os referenciais são móveis.

Vera Celms

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A obra NA MOBILIDADE DOS REFERENCIAIS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 7 de agosto de 2011

SAUDADE DORIDA

Nada dói mais do que a saudade
Daquilo que conhecemos de bom
Do que já fomos
Do que já sentimos
Do peso e valor das coisas
Das situações
Das emoções
Dos sentimentos
Nada dói mais do que a saudade
Daquele a quem conhecemos
Por quem já nos apaixonamos
E ou, muito amamos...
Por conhecer cada motivo ou razão
Daquele a quem conhecemos o sorriso
E a lagrima que espontânea brota
E o olhar que se esconde, tímido
Por lisonja ou culpa
Que brilha de alegria ou dor
Mas sempre muito perto
Dentro dos nossos
Nada dói mais do que a saudade
Daqueles que já partiram
Pelo final da missão
Ou por arrancados dela que tenham sido
Daqueles que puderam dar o ultimo suspiro
Ou que saíram de cena antes do final
Daqueles que sabemos que não voltarão mais
Ainda que na certeza,
de que estarão nos esperando
num ponto qualquer da estrada,
De que nos encontraremos um dia...
Nada dói mais do que a saudade
Daqueles que precisaram nos dar as costas
Não por descaso, nem por desprezo,
pois permanecem bem perto, para que os esbarremos
Por necessidade absoluta, por dignidade,
Da manutenção da palavra empenhada, um dia...
Dos valores empreendidos
Da vida construída,
Da continuidade natural da historia
Por que sabemos, que um dia vamos nos encontrar
Pois já nos vimos uma vez nesta vida
E ainda que sem palavras, o encontro já foi marcado
E até que o tempo passe
E até que as coisas aconteçam
Nada dói mais que a saudade...
Como dói...

Vera Celms

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