quinta-feira, 29 de setembro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

GRINALDA NATURAL

Abri a janela hoje,
E uma flor sorriu pra mim,
incrédula fechei a cortina,
como quem fecha os olhos
esfreguei-os como quem não despertou,
ao abri-los novamente,
uma flor sorriu pra mim!!!
E era de verdade ...
E não era só uma...
Eram várias, a florada toda sorridente
Me fazendo também contente
As abelhas quase dementes
E o jardim, como meus olhos, estava em festa!
Era uma felicidade honesta!
Era tanta cor, era tanta beleza, e tanta flor!
Era a natureza toda aberta!!!
Em cada pétala um encantamento
O céu tão azulzinho e o sol avermelhado,
Um casamento perfeito...
Era um verdadeiro santuário
Cultuado por fadas,
Duendes e borboletas contentes
A terra ainda úmida da chuva da madrugada
Deixava cada folha molhada
Deixava o ar limpinho,
A manhã nasceu lavada!
Meu Deus! Que rara inspiração!!!
Que maravilhosa visão,
Corri para o armário
Consultei o calendário,
descobri o motivo daquela quimera
23 de setembro,
COMEÇOU A PRIMAVERA!!!

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra GRINALDA NATURAL de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 18 de setembro de 2011

O RASO DO NOSSO OLHAR


O raso do meu olhar
Guarda imagens de uma vida
Teus olhos igualmente rasos
De quando partiu,
Sabendo-se não voltar
Infantis manhãs de Natal,
Guarnecidas de felizes companhias
De presentes tão desejados
De futuro tão esperado
De dias tão felizes,
que julgamos tão merecidos
e, que nem sempre chegaram
Guardam imagens de pessoas
Que na nossa vida passaram
E hoje sabemos, eram só imagens
E só por isso passaram
De outras tantas pessoas
Que passaram, compondo dias
Anos, décadas,
Mas eram só seres humanos,
E só por isso passaram,
Mas, permaneceram pra sempre
Nesse raso do nosso olhar...
Carregado de passado,
Congestionado de presente...
Confuso, como o embaçamento dos olhos,
Imagens difusas que se misturam no tempo,
Nesse raso do nosso olhar
Tem um quê de tristeza,
Um quê de emoção,
Muito de comoção,
Um tantão de saudade
E lá no cantinho, uma pegada de esperança,
De que melhores dias se nos apresentem
E nos façam conhecer boas novas...
De que boas pessoas cruzem nossos caminhos
E fiquem, pelo tempo que puderem
Ou que tiverem de ficar
E que possamos, demonstrar pelo brilho
Do raso de nosso olhar
O que e quanto nos dizem a alma
E o quanto permanecerão na nossa lembrança
Depois que acabarem de passar pela nossa vida...
E que o raso de nosso olhar
Permaneça pra sempre na lembrança
Quando não mais pudermos de tudo lembrar...

Vera Celms.

domingo, 11 de setembro de 2011

VIGIANDO SUA JANELA


A minha voz na madrugada
Cansada de chorar
É uma coisa que arde,
É um incontido grasnar
Ecoa na noite insone
Fazendo-se notar
Vai de janela em janela
Tentando te encontrar
Chora, lamenta e volta
Cansada, minha voz
Perdida, solta na madrugada
É o que você ouve em sonhos
A te chamar
E não entende, não responde
Não se cansa de ouvir
Talvez se levante cantando
Minha voz distante, ignorando
Talvez alcance as imagens, minha voz
Talvez seja só uma lembrança
Que vem e vai
Sem te acompanhar
Minha voz na madrugada
É o uivo de um animal triste
De um lobo solitário
Que delata, chorando o cio
Como um canto a capela
Vigiando a noite toda, a sua janela...

Vera Celms

domingo, 4 de setembro de 2011

HINO DE AMOR

Ouça!!!
Preste atenção,
Ruídos, sons de trovão?
Vem de todo lado,
Espalhado por todos os lugares
Canto de dor,
Tambores a vibrar
Metais a cantar
Baixo, forte, profundo
Canto de dor,
De todo lugar
É o mundo a boca chiusa(*)
Entoando cantos de dor...
E todo mundo a cantar
Todos os ouvidos do mundo
Param e prestam atenção
Olhando todos para o mesmo lado
E lá estão refletidos
Quadros tristes, pintados a óleo do céu
Crianças famintas do mundo todo
Escondidas, no meio do lodo
Acalentadas por famintas mãos
Descobrindo pequenos olhinhos
que choram doridos lamentos
e secos, imploram, só pedindo paz...
Exilem-se tantos demônios
Ainda que travestidos de homens,
tentam estabelecer o caos
Busquemos a todos, juntemos as mãos
Chamemos a atenção
Clamemos por direitos, humanos
Ouçamos todas as vozes
Que digam algo de bom
Parem, ouçam,
É ranger de dentes? não é trovão,
o barulho vem do chão,
Se partindo, rachando, se abrindo
Ouçam os tambores e os metais
Boca Chiusa não é só canto e canção,
É choro de sofrimento, dor e tristeza
É choro de sede, de fome e desolação,
É choro de um continente,
De toda gente
É choro de uma Nação,
É choro de África
Pedindo SOCORRO em canto de dor
E o mundo inteiro chorando
E o mundo inteiro cantando
Chorando um HINO DE AMOR...

Vera Celms

*Bocca chiusa é um termo em italiano, que significa cantar com a boca fechada muito utilizada em vocalizes.
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A obra HINO DE AMOR de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.