segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MOLEQUE

Meio sanduíche
(já mordido)
Uma bala semi derretida
Uma fieira e um pião
Um chiclete protegido pelo papel
(mastigado)
Eventualmente um gafanhoto
Uma perereca
Uma tampa de garrafa
Um emaranhado de linha de pipa
Um papelzinho com um coração
do qual nem se lembra mais a autora
Uma figurinha do time preferido
No bolso detrás (meio rasgado),
uma foto de sua mãe
Uma outra de um avião
Uma outra de um artista cujo rosto não se vê mais (mas ele sabe quem é)
Uma caneta hidrográfica
Um pedaço de barbante
Um canivete, um abridor de garrafas
Um relógio sem pulseira ou bateria
Uma bola de vidro
A cabeça cheia de pensamentos misturados e desordenados
No coração várias paixões coexistentes
Nos pés, asas,
camufladas por um par de surrados tênis
No peito, um furacão
Um caminho rumo ao horizonte
E nenhuma direção
Limite? do sono
Noção? da fome
(pelo roncar do estômago)
Uma vida inteira pela frente
Um mundo para correr
Um universo a ser descoberto
No rosto, só um menino
Uma criança comum...
Só um moleque


Vera Celms
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domingo, 22 de janeiro de 2012

NAS ASAS DO PENSAMENTO

Sua distancia me incomoda
Já não consigo mais ver-te
A curva da estrada interpôs-se a nós
A saudade machuca
Corda no meu pescoço
Tira-me o ar,
a vontade... a paz...
Meu olhar, no horizonte
A porta continua aberta
O peito dilacerado
Anjos frequentam minhas noites
Fadas vigiam meu despertar
Duendes sondam meus sonhos
As vezes choro
As vezes sumo
Pintei as paredes de verde
Abri todas as janelas
Pra ver se a esperança, distraída, fica
Não te vejo mais
Meu coração eu seguro
Para que não salte pela boca a tua procura
Mas meu pensamento,
aprendeu a voar !!!


Vera Celms
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sábado, 21 de janeiro de 2012

CHICO BUARQUE - VAI PASSAR

Uma das composições de CHICO BUARQUE que mais gosto. Uma das minhas predileções da vida inteira. É impossível permanecer quieta...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Svētvakars. R. Pauls

Letônia, um país lindo !!!  Coneça um pouco da música e de imagens de um país por nós tão desconhecido, onde nasceu meu pai.


KLAIDONIS_Es ilgi kluseju.wmv

Segundo minha prima, esta musica/video é uma "despedida ao verão". Na Letônia o Outono é uma preparação para o regiroso e severo inverno...

Vento da madrugada / Enlace poético: Vera Celms e MIL.













O vento entra pela janela aberta sem permissão 
Penetra na minha intimidade 
 Invade o quarto, levanta as cortinas 
 Serpenteia pelo cômodo 
Toca teu corpo 
Arrepia suavemente 
Se antecipando ao meu olhar 
Vejo teu corpo se rendendo ao vento 
Envolvido pela brisa noturna 
Na sutileza de um movimento 
Acariciante e provocante 
Um ligeiro arrepio denuncia-lhe a sensação 
Teima em acordar teu silêncio 
E o sono te mantém distante. da minha atenção,
alheio a tudo e do vento a ação 
Da brisa noturna que continua frequentando o quarto 
A dançar pelo cômodo 
Fagueiro, ligeiro, rasteiro 
Brincando no espaço 
Sussurrando nas janelas 
Vento moleque brincalhão 
Brisa noturna de verão 
Que me faz vibrar 
Me toma de emoção 
Que muda tudo de lugar 
Eriça a pele e agita os cabelos 
Derruba de um só movimento o relógio 
Que quebrado não pode mais a ninguém despertar 
Brisa morna da noite que sugere o desejo 
Madrugada de vento vai fazer meu amor ficar 

Vera Celms
Maria Iraci Leal 
Direitos Reservados

domingo, 15 de janeiro de 2012

VENTO DA MADRUGADA

 O vento entra pela janela aberta
sem permissão,
Invade o quarto, levanta as cortinas
Toca teu corpo,
Se antecipando ao meu olhar
Vejo seu corpo se rendendo ao vento
Na sutileza de um movimento
Um ligeiro arrepio denuncia-lhe a sensação
E o sono te mantém distante.
da minha atenção,
do vento a ação,
que continua frequentando o quarto
Fagueiro, ligeiro, rasteiro
Vento moleque brincalhão
Que me faz vibrar
Que muda tudo de lugar
Derruba de um só movimento o relógio
Que quebrado não pode mais a ninguém despertar
Madrugada de vento vai fazer meu amor ficar


Vera Celms
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domingo, 8 de janeiro de 2012

VERSOS TEUS

Fita-me pelas frestas
Espias-me nas publicas cenas
Logo menos me reconhecerá
Nos versos da tua poesia
Minarei como água, pelos alicerces
Residirei em ti
Lavando tuas culpas, nos teus medos
Fique bem longe de quem faz as perguntas
Se não quiser respondê-las
Não é fuga, proteção
Não precisa se oferecer
Só não diga que não foi avisado
A dor é inevitável
O sofrimento facultativo
A chantagem, como o suborno, fecha as bocas
Não as vontades,
Não há como fugir das paixões,
Não há como desviar das vinganças
Fruto do ódio e do rancor
Então, não dê motivos;
sem atalhos,
Não apague a luz, se tem medo da escuridão
E de nada vai adiantar acender a luz
Se a visão é ausente
Não busque a liberdade
Se não souber o que fazer dela,
Carreira solo é pra corações que se bastam
Minarei nos seus versos
Ainda que não saiba o que fazer comigo
Frequentarei a sua poesia
Como a culpa a consciência
Só não sei onde estarei amanhã...
Além dos versos teus


Vera Celms
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

VOCÊ E O TEMPO


Por mais que te ame
Quanto mais penso em você
Mais o relógio ordena
Que eu corra atrás do tempo
Servil obedeço, sem retrucar
Não reclamo pois o conheço
Sei de onde vem e para onde vai
Sei que passa por mim indelével
Sei do que o tempo gosta
De novos amores
Aventuras tantas
Carinhos vãos
Voa como sombra, sem tocar o chão
Enquanto eu, teimosa tento, aprisionar o tempo
Amarrado a você, dentro do meu coração...


Vera Celms
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