terça-feira, 29 de maio de 2012

Maria Bethania - Carta de Amor

http://www.kboing.com.br/maria-bethania/1-1116063/

http://www.kboing.com.br/maria-bethania/...

Não mexe comigo que eu não ando só
eu não ando só, que eu não ando só
não mexe não (2x)

Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos Cupis

sou Tupinambá, tenho Erês, caboclo boiadeiro
mãos de cura, Morubichabas, Cocares, Arco-íris
Zarabatanas, Curarês, Flechas e Altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura
o breu o silêncio a espera. Eu tenho Jesus,
Maria e José, todos os Pajés em minha companhia
o menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos
o poeta me contou.

Não mexe comigo que eu não ando só

eu não ando só, que eu não ando só
não mexe não (2x)

Não misturo , não me dobro a rainha do mar

anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile
das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do
ouro de Oxum que é feita a armadura guarda o
meu corpo, garante meu sangue, minha garganta
o veneno do mal não acha passagem e em meu
coração Maria ascende sua luz, e me aponta o
caminho.
Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã,
giro o mundo, viro, reviro tô no reconcavo
tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de
ser uma traço o cruzeiro do sul, com a tocha
da fogueira de João menino, rezo com as três
Marias, vou além me recolho no esplendor das
nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo
na forja de algum, mergulho no calor da lava
dos vulcões, corpo vivo de Xangô

Não ando no Breu nem ando na treva

Não ando no breu nem ando na treva
é por onde eu vou o Santo me leva
é por onde eu vou o Santo me leva(2x)

Medo não me alcança, no deserto me acho, faço

cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo
meus pés recebem bálsamos, unguento suave das
mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro, no
Oásis de Bethânia.
Pensou que eu ando só, atente ao tempo num
comece nem termine, é nunca é sempre, é tempo
de reparar na balança de nobre cobre que o rei
equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça

Eu não provo do teu féu, eu não piso no teu chão

e pra onde você for não leva o meu nome não
e pra onde você for não leva o meu nome não(2x)

Onde vai valente? você secô seus olhos insones

secaram, não veêm brotar a relva que cresce livre
e verde, longe da tua cegueira. Seus ouvidos se
fecharam à qualquer musica, qualquer som, nem o
bem nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
você pisa na terra mas não sente apenas pisa,
apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
teclas do teu piano, você está tão mirrado que
nem o diabo te ambiciona, não tem alma você é
o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.

O que é teu já tá guardado

não sou eu que vou lhe dar,
não sou eu que vou lhe dar,
não sou eu que vou lhe dar.(2x)

Eu posso engolir você só pra cuspir depois,

minha forma é matéria que você não alcança
desde o leite do peito de minha mãe, até o sem
fim dos versos, versos, versos, que brota do
poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita
na palma da inspiração de Caymmi, se choro quando
choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
alimenta a visa, chorando eu refaço as nascentes
que você secou.
Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e
sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de
Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
mas, nenhuma espada corta

Não mexe comigo que eu não ando só

eu não ando só, que eu não ando só(2x)
não mexe comigo




domingo, 27 de maio de 2012

ATÉ NÃO MAIS


foto de Vinicius Celms
Caminho de volta
Sem prazer de voltar
Sem ter porque ficar
Desconstruir o trajeto
Fazer de conta que nada houve
Porque nada houve pluma ou trilha
Não houve mapa
Nem plano de voo
Não tive asas nem patas
Armadilhas, arapucas, pontes derrubadas
Não houve céu de brigadeiro
O pervanche nublou
Antes de anoitecer
Raios e trovões cortaram o ofegar
E me protegi da tempestade,
pela primeira vez
Meus olhos não brilharam
O peito não arfou
As mãos umedecidas secaram
na correnteza do vão da porta que bateu
Afinal, a porta fechou
Não ouço mais violinos
Nem harpas,
Não olho mais para o sol
E a lua foi a única que ficou
Na madrugada solta
Em busca de mim
Até não mais...

Vera Celms
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O trabalho ATÉ NÃO MAIS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

CASA VAZIA


Não deixe
Minhas palavras caírem no vazio
Minhas súplicas ficarem sozinhas
Minha alma precisar de você,
sem que precise de mim
Se te quero, é porque é todo,
É porque é tão meu quanto eu sua...
Se a tua é saudade,
A minha é abstinência
Meu vicio de ternura,
Minha dependência de carinho
Minha necessidade de doçura
São alimentos da minha alma fêmea
Vem, me busca,
Me colhe madura na estrada
Consome-me mas fica comigo
Consumir-te-ei já estando em ti
Moro no seu peito, no seu pensamento
E só notas quando a casa fica vazia?

Vera  Celms
Licença Creative Commons
O trabalho CASA VAZIA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

E agora José - Carlos Drummond de Andrade

 Wando fez a poesia e o Roberto Carlos Cantou e encantou

Caetano Veloso - Morena dos Olhos D´Agua

Chanson pour Michelle (Tom Jobim)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Bee Gees - I Love You Too Much.flv

Num Meio-Dia de Fim de Primavera

http://tvcultura.cmais.com.br/provocacoes/pgm-43-num-meio-dia-de-fim-de-primavera-24-06-2001


PGM 43 - Num Meio-Dia de Fim de Primavera - 24/06/2001
Autor: Alberto Caeiro
Alberto Caeiro Arte & Cultura
17/05/12 11:42 - Atualizado em 17/05/12 11:44
    
     Num meio-dia de fim de primavera
     Tive um sonho como uma fotografia.
     Vi Jesus Cristo descer à terra.
     Veio pela encosta de um monte
     Tornado outra vez menino,
     A correr e a rolar-se pela erva
     E a arrancar flores para as deitar fora
     E a rir de modo a ouvir-se de longe.
     Tinha fugido do céu.
     Era nosso demais para fingir
     De segunda pessoa da Trindade.
     No céu era tudo falso, tudo em desacordo
     Com flores e árvores e pedras.
     No céu tinha que estar sempre sério
     E de vez em quando de se tornar outra vez homem
     E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
     Com uma coroa toda à roda de espinhos
     E os pés espetados por um prego com cabeça,
     E até com um trapo à roda da cintura
     Como os pretos nas ilustrações.
     Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
     Como as outras crianças.
     O seu pai era duas pessoas
     Um velho chamado José, que era carpinteiro,
     E que não era pai dele;
     E o outro pai era uma pomba estúpida,
     A única pomba feia do mundo
     Porque não era do mundo nem era pomba.
     E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
     Não era mulher: era uma mala
     Em que ele tinha vindo do céu.
     E queriam que ele, que só nascera da mãe,
     E nunca tivera pai para amar com respeito,
     Pregasse a bondade e a justiça!
     Um dia que Deus estava a dormir
     E o Espírito Santo andava a voar,
     Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
     Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
     Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
     Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
     E deixou-o pregado na cruz que há no céu
     E serve de modelo às outras.
     Depois fugiu para o sol
     E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
     Hoje vive na minha aldeia comigo.
     É uma criança bonita de riso e natural.
     Limpa o nariz ao braço direito,
     Chapinha nas poças de água,
     Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
     Atira pedras aos burros,
     Rouba a fruta dos pomares
     E foge a chorar e a gritar dos cães.
     E, porque sabe que elas não gostam
     E que toda a gente acha graça,
     Corre atrás das raparigas pelas estradas
     Que vão em ranchos pela estradas
     com as bilhas às cabeças
     E levanta-lhes as saias.
     A mim ensinou-me tudo.
     Ensinou-me a olhar para as coisas.
     Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
     Mostra-me como as pedras são engraçadas
     Quando a gente as tem na mão
     E olha devagar para elas.
     Depois cansado, o menino Jesus adormece nos meus braços.
     Levo-o ao colo para dentro de casa
    Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
     Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
     Ele é o humano que é natural,
     Ele é o divino que sorri e que brinca.
     E por isso é que eu sei com toda a certeza
     Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
     Damo-nos tão bem um com o outro
     Na companhia de tudo
     Que nunca pensamos um no outro,
     Mas vivemos juntos os dois
     Com um acordo íntimo
     Como a mão direita e a esquerda.
     Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
     E ele sorri, porque tudo é incrível.
     Ri dos reis e dos que não são reis,
     E tem pena de ouvir falar das guerras,
     E dos comércios, da violência e dos navios
     Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
     Porque ele sabe que a tudo isso falta àquela verdade
     Que uma flor tem ao florescer
     E que anda com a luz do sol
     A variar os montes e os vales,
     E a fazer doer nos olhos os muros caiados.
     Depois ele adormece e eu deito-o.
     Levo-o ao colo para dentro de casa
     E deito-o, despindo-o lentamente
     E como seguindo um ritual muito limpo
     E todo materno até ele estar nu.
     Ele dorme dentro da minha alma
     E às vezes acorda de noite
     E brinca com os meus sonhos.
     Vira uns de pernas para o ar,
     Põe uns em cima dos outros
     E bate as palmas sozinho
     Sorrindo para o meu sono.
    
     Quando eu morrer, filhinho,
     Seja eu a criança, o mais pequeno.
     Pega-me tu ao colo
     E leva-me para dentro da tua casa.
     Despe o meu ser cansado e humano
     E deita-me na tua cama.
     E conta-me histórias, caso eu acorde,
     Para eu tornar a adormecer.
     E dá-me sonhos teus para eu brincar
     Até que nasça qualquer dia
     Que tu sabes qual é.

     Esta é a história do meu Menino Jesus.
     Por que razão que se perceba
     Não há de ser ela mais verdadeira
     Que tudo quanto os filósofos pensam
     E tudo quanto as religiões ensinam?
Sobre o autor: Alberto Caeiro
Heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro é considerado como o Mestre Ingênuo de suas múltiplas personalidades poéticas. É ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico.

Bee Gees - My World (1972)

 HISTÓRICA, SAUDOSA, MARAVILHOSA!!!

domingo, 13 de maio de 2012

COISA DE MÃE - FELIZ DIA DAS MÃES!!! a todas as mães...


A minha mãezinha, Lilli Celms que este ano não posso abraçar ao vivo, mas abraço de alma, de coração... TE AMO... obrigado pelo seu livre trânsito entre a FELICIDADE e a DOR...

É uma coisa toda louca mesmo!!!
Chora, ri e cala...
Canta de felicidade
e para disfarçar a dor
Chora de felicidade
e escondidinha, para aguentar a dor
Luta muito para ser feliz
e muito mais para evitar a dor
Abraça o mundo por que é feliz
 e a cria, para abrandar a dor
Grita ao mundo que é feliz
para manter calada a dor
Faz dupla, tripla jornada, trabalhando feliz
Pela educação do filho, esquece até a dor...
Olha o filho crescido, maravilhada e feliz
Sonha com o passado, com saudade e dor
Celebra a suada vitoria do filho, feliz...
Vendo o filho partir para mundo, chora de dor
Partirá um dia, vendo o filho chorar, feliz
E lá do céu... continuará protegendo seu rebento, da dor...
A este ser feliz que vive sempre,
entre a felicidade e a dor,
chamamos MÃE... e são todas assim...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho COISA DE MÃE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 6 de maio de 2012

CORAÇÕES IMANTADOS

imagem colhida na Internet

Por amor, só por amor
Deixei-te partir, voar
Por puro amor, sem amar...

Meu menino regaço ainda raso
Desejado colo, inseguro
Sem resistência nos pulsos
Sem fortes mãos

Olhar tão raso, faminto perseverante
Posto no horizonte
Assistiu a partida, agonizante

Baixei as pálpebras em descanso solene
Compasso de espera quase vacilante
Deixei-te partir, voar

Sabia-te pousar, fazer ninho, procriar
Olhos fixos no horizonte, esperando voltar
Não voltou, o ninho lotou
Espera vã, saudade mal sã...

O colo cresceu,
O punho se fortaleceu,
A mão o mundo alcançou
Olhar posto no horizonte, ficou

Em pleno voo esbarrados
Sedentos corpos atracados
Brotados em campos minados
Por amor, e só por puro amor
Deixei-te partir, voar

Pouco aderente, a superfície mal tocou
Contato ligeiro, quase periférico
Medo de se perder
Foi assim que reconheci 
Dentre todos os sabores, o que guardei

Olhos atentos, no horizonte postados
Atraído corpo imantado
Meus cheiros levou

Ouvidos uivos solados sob o luar,
Noites de frio infindável
A minha e a sua alma choram
Distantes, saudosas, separadas

Leal ao nosso amor
Te espero cumprir, voar...
leal ao seu amor
Palavra, ação empenhada
Em coração imantado,
Pra sempre...

Vera  Celms
Licença Creative Commons
O trabalho CORAÇÕES IMANTADOS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.