domingo, 10 de junho de 2012

ARBÓREA



Colhe de mim o que encontrares
Néctar, perfume, flor...
Nutro meus frutos para teu deleite
São todos teus,
Vem e colhe
Faço-te sombra com a copa
Até que a tudo observes
E colha então o que lhe servir
Peço ao vento o frescor possível
Cantando musicas folhosas
Far-te-ei serenata
Se cansado, abrigo teu cochilo
Inspiro-te sonhos
Sopro nos teus ouvidos silabas mágicas
Para que, ao acordar, sinta-se em casa
Sirva-se, recoste-se em meu corpo
Rijo tronco, macio regaço a te amparar
Mora em mim livremente
Te afago, te alimento,
Te ofereço ampla visão
Adoço tua boca com denso néctar
E quando quiseres partir,
Já estarão em ti minhas sementes,
Leva meu gosto e meu nome
Na lembrança e na língua
Me chama quando precisares
E me planto em outro lugar,
Ainda que desfolhe,
por ti, broto de novo...

Vera Celms

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