domingo, 29 de julho de 2012

CAMINHO SOLO




O que nos afastou
foram as suas distâncias
os seus motivos,
o seu comando
 Não precisar de mim, foi ideia sua
foi tarefa sua
a mim, restou o canto do sofá
o meio dos edredons e seus cheiros
o meio do dia tão longo
o meio da noite tão silenciosa
o meio tenebroso do inferno tão assustador
A ideia de caminhar sozinho no escuro, foi sua,
não precisei pedir, nem falar, nem consentir
a autonomia era sua,
minha era a busca, o tato, o olfato,
delator das suas coordenadas
antena captora dos seus sentidos e sentimentos
Vai, procure pela minha sombra
pelo meu rastro tão incerto
cambaleei tonta, machucada, dopada, zonza,
tanto tempo vazio...
Relógio de viciados ponteiros
rodando em falso, só por rodar
movimento só mecânico,
As cegas, acabará tropeçando,
o próximo passo pode ser o precipício
Se ainda prefere caminho solo; vai...
Se eu ainda estiver por perto,
consciente, ou viva...
talvez te olhe, guarde a tua imagem,
quem sabe, se o testemunho for uma missão
direi que te encontrei no caminho,
direi que te conheci um dia...
Nada mais...

Vera Celms
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domingo, 22 de julho de 2012

GANHA-ME


Preciso que me apaixone
Que faça-me te desejar além de todos
Quero arder como as ninfas
Que entregam-se lascivas e apaixonadas
Não ossos, sangue do oficio
Preciso que me encante, me enlouqueça
Quero querer você, pensar em você
Antes mesmo que se movam minhas pálpebras
Olhos cerrados querendo adormecer
Olhos abertos encarando o despertar
Quero que more nos meus sonhos
Que migre pra minha realidade antes de eu acordar
Quero te encontrar em todo lugar
Lá dentro, aqui fora...
Ausência do teu cheiro no meu pulsar excitado
Que o procura aflito
Aí já é saudade, já é querer
É assim que nasce minha precisão de você
Todo dia, dia a dia... até ser pra sempre
Até ser eternamente
Então já é amor pelo seu amor... presente...

Vera Celms
IMAGEM COLHIDA NA INTERNET

Drummond- Mãos Dadas

Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos,
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
( Carlos Drummond de Andrade )

domingo, 15 de julho de 2012

AQUIS E ALIS



Vim aqui, só procurando você
Parei diante da sala vazia
E não te encontrei aqui

Vim aqui, só procurando você
Parei no meio do corredor agitado
E nem querendo muito, não consegui te ver aqui

Vim aqui, só procurando você
Continuei parada, diante da sala lotada
E ainda assim, não te encontrei aqui

Tantos rostos ali, tantas expressões
Tantos motivos e razões pra estar aqui
Provavam aqueles tantos ali
E eu só encontrei um motivo:
Procurar você; aquele que não esteve aqui...

Vou continuar procurando
Quem sabe entre aquis e alis,
Encontre você num repente
Sem nem mais precisar procurar você.

Vera Celms
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

ENTRE O CÉU E O MAR - Entrevista com Robson Gundim

 Um grande amigo... um filhão que a vida apresentou a mim... um menino ainda, que criou vidas, espaços, histórias e um roteiro completo, pronto para pular do papel para a realidade. Não percam!!!

domingo, 8 de julho de 2012

CHRISTIAN NICKLAUS



Ontem nasceu menino
Correu e tímido brincou
Chegou por amor
Encantou, estudou,
O menino cresceu
Enorme ficou, corpo e alma
Apaixonou-se, entregou-se
Sobrevivente de um mundo cruel
Driblou  limites
Alcançava sonhos
Já os vislumbrava através das nuvens
Olhava a vida, como o sol através da água,
Sem medo, incondicionalmente
Então, virou uma esquina,
Com aquilo que os demais não tiveram,
Mochila nas costas, puxada com violência
Ato reflexo do próprio corpo
E recebeu, daquele que não teve, o que ele tivera
O que aquele ainda não teve, o projétil,
A bala a lhe furar o crânio e a invadir o peito,
Aquele fugiu, sem nada levar,
A morte ficou, e o Christian levou...
Vá com Deus doce menino,
Sua família fica aqui, com seus amigos, a orar,
Saudade pra sempre...

Vera Celms
Este menino, de somente 19 anos, foi brutal e fatalmente ferido na ultima 6a.feira (06/07/12) por volta de 18 horas, numa tentativa de assalto, na cidade de Jundiaí, SP, quando saía do trabalho. 
O sepultamento ocorreu em Campo Limpo Paulista, cidade onde morava com sua familia, na tarde de sábado. 
Meus sentimentos, saudades, consternação e solidariedade a FAMILIA NICKLAUS, neste momento de extrema dor. 
Sabrina, a mãe, a quem eu ofereço meus pensamentos mais intensos pela dor insuportável... meu abraço mais terno...
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Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa (declamado por Paulo Autran, magestosamente)

POEMA DOS OLHOS DA AMADA - VINÍCIUS DE MORAES

domingo, 1 de julho de 2012

OUTROS TEMPOS



Você supõe que eu te queira
Coloca na minha boca teus salivares
No brilho dos meus olhos, seus olhares
No meu corpo o fogo do teu corpo
Nas minhas palavras as tuas certezas
O teu sangue nas minhas veias
Quer que eu te queira?
Chama-me de amor
Confessa-me teu querer
Busque-me, reconquiste-me,
Enche minhas vontades de mel
Abra teus braços
E espere o meu abraço chegar...

Vera Celms
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