domingo, 29 de julho de 2012

CAMINHO SOLO




O que nos afastou
foram as suas distâncias
os seus motivos,
o seu comando
 Não precisar de mim, foi ideia sua
foi tarefa sua
a mim, restou o canto do sofá
o meio dos edredons e seus cheiros
o meio do dia tão longo
o meio da noite tão silenciosa
o meio tenebroso do inferno tão assustador
A ideia de caminhar sozinho no escuro, foi sua,
não precisei pedir, nem falar, nem consentir
a autonomia era sua,
minha era a busca, o tato, o olfato,
delator das suas coordenadas
antena captora dos seus sentidos e sentimentos
Vai, procure pela minha sombra
pelo meu rastro tão incerto
cambaleei tonta, machucada, dopada, zonza,
tanto tempo vazio...
Relógio de viciados ponteiros
rodando em falso, só por rodar
movimento só mecânico,
As cegas, acabará tropeçando,
o próximo passo pode ser o precipício
Se ainda prefere caminho solo; vai...
Se eu ainda estiver por perto,
consciente, ou viva...
talvez te olhe, guarde a tua imagem,
quem sabe, se o testemunho for uma missão
direi que te encontrei no caminho,
direi que te conheci um dia...
Nada mais...

Vera Celms
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O trabalho CAMINHO SOLO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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