sábado, 6 de outubro de 2012

Programa 81 - poema 02 - POVO, POVO, POVO

Povo, povo, povo! O Brasil tem sorte de ainda ser povo. Povo é uma palavra com eco. Muito curiosa essa palavra, ninguém sabe direito. Mas eu posso dizer a vocês que a passageira do meu lado é viúva, sessenta anos, tem dois gatos de que gosta e dois netos de que não. Os gatos ela comanda, os netos é uma batalha. Sobre este mundo louco sabe tudo, ela vê televisão. Ela vê TV. O país não tem remédio, ninguém mais tem trabalho e os que têm não quer mais trabalhar, os políticos só roubam. Não vale a pena falar. Aproveita e volta ao sério. Sério pra ela são as telenovelas. Então ela fala sem parar. Fala sem parar. Ela fala de Big Brother, ela fala da Casa dos Artistas, ela fala do Raul Gil, ela fala do povo brasileiro. A passageira do lado é o passageiro em geral. O povo. O louvado povo com discursos do jornal. A que começar do ovo! Porque alguma coisa andou mal.

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