domingo, 24 de fevereiro de 2013

NOVO CONCLAVE




O formato da minha fé

Pode não ser o mesmo

Pode não ter o mesmo tamanho

Um rio que não corre no mesmo leito

Sem deixar de ser rio

Qual o aval?

Como pode um homem,

Um grupo de homens

Julgar-se capaz de representar

A fé de todos os homens

E impor formatos, leis, regras,

Dizer como amar,

Dizer a quem desamar,

Ditar o certo e repudiar o errado

Quem acerta e quem erra,

E aos olhos de quem

Não há edificação capaz de representar

O que Aquele Homem,

disse na Montanha, com o sol sobre sua cabeça

A Palavra se espalhou

Tanto, que alguns homens acharam  por bem,

de forma vã,

Aprisionar entre paredes

Escrever em papel  o que Ele escreveu em pedra

E a cada novo papel uma nova leitura

E a cada nova leitura uma nova interpretação,

E a cada nova interpretação, novas palavras

Foram mudando virgulas de lugar

Palavras de época,

Inventaram um tal de pecado

E o que se conhece

É o que se tem

Uma nova versão,

Uma nova palavra, só dos homens

Como pode um homem, um grupo,

Dizer tanta coisa?

Tomar pra si a Santa palavra?

Renunciar por discordância ou tolerância?

Se fosse a Santa vontade, expressa por tantas vãs palavras,

Não haveriam tantas guerras santas...

Vem aí, um novo conclave...

Que Deus continue olhando por todos nós,

Amem...



Vera Celms
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O trabalho NOVO CONCLAVE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dick Farney - Bossa Nova \ Jazz (Full Album)

DICK FARNEY !!!

Tomemos um chá de BOSSA NOVA... ou com duas pedras de gelo...


VOU TENTANDO





Queria que fosse verdade
Que me ama,
Que sente minha falta
A saudade contada em versos
Mas, depois de abrir a porta
pela octocentésima vez,
Não posso mais acreditar,
Nunca há ninguém lá
Nunca houve
Nem ao telefone
Só nas minhas lembranças
Nos olhos da minha vontade
No pulsar da minha busca
Nos meus amanheceres vazios
Circundada de nada
Inócuas tentativas de existir
De ter a quem contar
Do tamanho da minha alma
Capturo no ar o eco,
que leve voa e vai...

Vera Celms
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domingo, 10 de fevereiro de 2013

SIMBIÓTICO...



Não é fácil viver
Conviver, compartilhar, partilhar
Entregar o coração, a alma,
Gostar, sentir-se bem,
Deixar fluir...
Olhar o outro com olhos de si mesmo
Interagir no toque, no gesto, no pensar
No caminhar, no navegar, no transcender,
Doar de si, em ondas de puro magnetismo
Navegar na mesma onda, na mesma direção
Sentir no outro um pouco do cheiro seu
Aceitar, desejar a proximidade, o contato,
Sem incomodar-se, fluindo a mesma energia
A mesma intensidade do brilho
Polaridades opostas, mesma voltagem,
Não importa a idade, a aparência, a forma,
Mas a fruição, a densidade, a direção
Olhar, sentir o outro com jeito de si,
Pulsar na mesma freqüência
Respirar e transpirar na mesma alternância
Buscar a presença,
Estar presente,
Contar com alguém
Preocupar-se com alguém
Querer saber, querer dizer, estar disponível
É gostar, trocar, fundir,
É dividir, somar, partilhar
Deixar-se pertencer,
Ao mesmo lugar, aos mesmos momentos
As mesmas sensações, necessidades, sentimentos
As mesmas situações, a mesma orbita,
ao mesmo mundo,
A alguém, na mesma proporção
Que alguém se deixa a você pertencer
Seja quem for, recíproco a você...

Vera Celms
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A obra SIMBIÓTICO... de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada

domingo, 3 de fevereiro de 2013

CICATRIZES





Preciso de cada uma das minhas cicatrizes
Pra contar o tempo que tive de mim
Para conseguir olhar pra trás
e fotografar os caminhos,
por onde andei, tropecei,
caí e levantei...
Pra contar quanto de mim ficou por estes caminhos
Vou contar por onde passei
Vou contar como andei
Quantos atalhos descobri ou inventei
Quantas picadas tive de abrir,
com as mãos nuas,
- hoje calejadas e enrugadas
Vou, enfim, depor em favor de mim
Declarar que as minhas cicatrizes,
são todas reais e ainda sensíveis ao toque,
Todas minhas, enraizadas e aparentes,
Não as tatuei na pele,
Tenho-as todas,
São troféus da minha vida...

Vera Celms
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O trabalho CICATRIZES de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.