domingo, 14 de dezembro de 2014

SÓ SE FOR POR PRAZER





Gritemos despautérios,
Absurdos ridículos,
Afrontemos as convenções sociais,
Não precisamos dar nome ao que temos,
Nem ao que vemos,
Nem ao que fazemos,
Façamos e só...
Crianças transgressoras,
Loucos despreocupados, desconectados,
Prazer, é o único nome possível
Muito prazer, é o superlativo
Gostar já basta,
Amar é só retórica,
De verdade, façamos do prazer bandeira,
Pulemos cercas,
Atravessemos limites,
Invadamos murados jardins, salas fechadas, segredos,
Perfeito é tudo existir,
Mais que perfeito, exagero
Olhar alguém em pleno êxtase,
E sorrir singelo,
Olhos falam, pele fala, olfato conta...
Afinal, muros derrubados,
Agora, sigamos em frente,
Mas, só se quisermos... e por prazer...
Brindemos a isso?

Vera Celms
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

PROCURA-SE ...





Ando sentindo falta de fervuras sanguíneas,
De borbulhas de amor,
De frios no estômago,
ou borboletas, que voem sem sair do lugar,
que permaneçam lá dentro... em movimento,
Uma flor, uma piscada, um cutuque...
Um sorriso de prazer,
Um brilho emocionado,
Um gesto interessado, excitado,
Um bilhetinho maroto,
Uma mensagem safada,
Acompanhado de flores, ou não
Mas, é necessário, imprescindível que seja verdade...
Procura-se ...

Vera Celms
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BARRY WHITE (COLLECTION) HD

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PERFUMARIA





Quando me dei sobre as pernas, pela primeira vez
Senti que o destino havia traçado a trajetória toda
Ora indo, ora vindo, ora ficando sei lá aonde
Molhei os pés tantas vezes
Sequei-os todas
Algumas vezes doeram, racharam,
Era o peso da bagagem,
Engraxados pelas sobras não consumidas,
Pés cansados, mal hidratados,
Pele clara, tão clara,
Tão fina quanto minha percepção
Como o desenho do nariz, que meu pai me deu,
Não adunco, aristocrático,
Que facilitou minha postura altiva,
Rainha rala, pouca nobreza,
Trazida de outra vida, ou de outra dimensão roubada,
Traçada a realidade, caco a caco, um risco...
Olho sempre direto,
Também não fujo a luta,
Saio peitando inimigos, doa ou não,
Doa a quem doer, se estiver impedindo meus movimentos,
Afinal, quem sai aos seus, não degenera – é assim, o ditado?
Aprendi a brigar desde pequena,
Garantir meu espaço, como meu pai
Absorvi a marra, a dobra na testa, o punho cerrado
Passos largos e firmes, apesar de caindo sob as tabelas,
Triste a caminhada de um manco, mas não menos nobre,
Nobreza trouxe alguma no DNA adquirido por herança natural,
A bruxaria também,
Aprendi bem cedo a fazer poções, xaropes,
e se necessário, venenos também faria, mas não fiz...
O carma continua leve, limpo, brilhante,
Zelo sempre foi uma característica,
Talvez me entregue, se quiser,
Talvez me preserve, por segurança,
Decido eu,
Mantenho no olhar azul claro, toda a malícia possível,
capaz de seduzir ou desvendar,
Muito de astúcia, e segurança,
E um horizonte ensolarado, largo e certo...
O mais, é perfumaria...

Vera Celms
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

MEU DESTINO TEU





Meu menino vadio,
Cruza meu caminho na madrugada,
Aplaca minha saudade,
aumenta meu desejo,
Desfila lascívia diante dos meus olhos,
Exibe furtivamente o corpo excitado,
Fazendo aumentar a vontade,
Exige de mim, meu desejo brilhante,
Pulso, vibro, estremeço de prazer,
Exposta sem relutância,
Quebra o romantismo com doces safadezas,
Respondo com excitação dilatada,
Lisa, suplicante,
Impossível não querer você,
Distancia tão cruel,
Mantém o abraço tão longe,
O toque tão distante,
E o pensamento tão insistente,
Só penso você, só quero você,
Você que veio ao acaso,
e tomou conta do meu destino, tão teu...

Vera Celms
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

CERTEZAS





Eu sabia o que fazer com a vida,
Trouxe tudo tão planejado,
Tudo tão ensaiado,
Cá comigo...
Não precisei falar diante do espelho,
Não precisei decorar nada,
Mas disse tudo...
Meus devaneios todos,
Meus sonhos todos completos,
Sabia exatamente como me comportar,
E como não me comportar também,
Então, olho pra você, e não entendo mais nada,
Pra onde foram todos os planos?
O que houve com todas as certezas?
Bastou você me sorrir,
Dizer meia dúzia de palavras sedutoras,
Enlaçar minha cintura,
Puxando-me pela nuca pra um beijo,
E tudo saiu do lugar,
Saiu voando, de órbita, da razão,
Nem sei mais pra onde vou, 
se você não estiver lá...

Vera Celms
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domingo, 28 de setembro de 2014

PERDIDA





Perdi amores,
Chaves, senhas, horas,
Perdi alguns dias,
Vários anos, na tentativa vã de viver,
Teria bastado ser feliz,
Mas quem busca felicidade,
talvez queira perfeição...
Perdi oportunidades,
de dizer o que pensava,
de ficar calada, quando provocada...
Perdi o costume de pedir opiniões,
depois de negativas demais
Perdi a vontade de dar satisfações,
depois de castrada, cerceada,
Perdi a conta, de quanto perdi por tão pouco,
Perdi a noção do tempo,
Perdi o brilho do olhar, acostumada a escuridão,
Perdi o hábito de sorrir,
O gosto por coisas demais,
Perdi a mão da magia, e talvez do sal,
Perdi a graça toda,
Perdi o faro, o rastro,
Perdi o fio da meada,
A paciência, a calma, o equilíbrio,
Tempo demais...
Perdi o ultimo trem,
Perdi a saúde, ganhei peso,
Perdi a forma, a linha,
Perdi amores, por não serem meus,
Perdi a confiança,
Perdi a direção...
Perdi o emprego, muito dinheiro,
Só não perdi a fé,
... reconstruirei tudo ...

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