domingo, 2 de fevereiro de 2014

NÃO FORMATADA






Tenho pensamento livre
Nenhuma velha opinião formada,
que não mereça uma repaginada
Meus olhares, contemplam o novo,
o diferente, o incomum,
com a mesma paixão, do que me apraz
Amei muito, larga e profundamente,
mas só a quem conhecia de amor
Posições rígidas, algumas,
Mas, somente as que me impediam de continuar,
por  caminhos que escolhi,
Sou a menina, que cresceu,
Sou a adolescente, que revolucionou
Sou a jovem que viveu, e amadureceu
Sou a mãe, que materializou o sonho
Fugitiva de algemas e grilhões,
Rasguei todos os rótulos
Me lancei a vida,
Conhecedora de alternativas e consequências,
Coragem, escudo próprio,
Desbravei novos mundos,
Abri clareiras,
Desenhei a mão, caminhos meus,
Dona de meus desejos, quereres, e bem-quereres
Dei a mim, o direito dos nãos,
O prazer da reflexão produtiva
E a dádiva do sim consentido
Não me arrependo, senão do que, e só, por cautela,
deixei de experimentar
Medos, sim,
Claustros sim, sem amputações desnecessárias,
As partes que faltam de mim,
optei em deixar pelo caminho...
Passado: experiências que compõem história
Não bagagem; essa, pesada,
deixou de pesar, quando entendi os porquês,
Ando de cabeça erguida,
ainda que o corpo doa,
Levo a alma leve, pois exerci minhas escolhas,
Deixei pelo caminho, aqueles em quem não senti verdade,
Bati a porta atrás de mim,
Prendi no salão, tantos fantasmas,
A chave, tenho-a  ao alcance só da mão,
Um dia, talvez solte a todos,
Mas, só no momento derradeiro,
Quando não mais puder ouvi-los,
Quando não mais puderem me assombrar,
Então, o fantasma serei eu; crível...
Talvez comande essa legião até lugares seguros,
Onde aqueles que me foram caros,
Contarão a eles, quem fui:  alma lavada, a caminho da luz...
Só precisarei de Deus... bem aqui dentro...

Vera Celms
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