segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

CIDADÃO DO MUNDO






Não quero poderes de deus,
Não quero reinventar o sopro
Nem cristalizar a vida,
Quero subalternizar a felicidade
E eternizar o momento
O sorriso, o olhar, a emoção,
Ainda que triste,
Ainda que cabisbaixo,
Mas, a procura do próximo movimento,
por derradeiro que seja,
E recebê-lo marejado,
Estupefato, indignado, surpreso,
Odiando, descartando,
Procurando o próximo e o próximo movimento, esperneando,
Fazendo parte, sendo parte, partilhando,
Quero ser, ainda que por um momento,
A tentativa da saudável vaidade,
Ver o mundo batendo no peito e dizendo: é meu...
Sou do mundo,
Viramundo,
Vagabundo do bem, mais por retórica que qualidade,
Assisto o mundo, da primeira fila,
Interajo, chamo, provoco, assovio,
Passo a mão na bunda dele, e sorrio,
E se Deus entrar em cena, saltarei para recebê-lo,
cheio de orgulho, de ser cidadão do mundo...
Sem capuz, sem elmo, nem boné,
E certamente, sem touca também,
com a maquiagem retocada...

Vera Celms
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CIDADÃO DO MUNDO de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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