domingo, 24 de maio de 2015

QUE AMANHEÇA





É preciso que amanheça,
Só o sol, invadindo a fresta
Revela toda intenção,
Uma noite não basta
A roupa pelo quarto,
As marcas nos lençóis,
A pele carimbada pelas mãos aflitas,
O rosto ainda afogueado
Os olhos úmidos,
A boca seca,
E a pulsação generalizada, batucando o corpo,
É preciso que amanheça,
A intensidade da madrugada fez acontecer,
E o café da manhã brinda, sela, celebra,
O olhar no olhar ainda extasiado,
As palavras todas ditas, ainda ressoando
Todas as pequenas ofensas gravadas,
prontas a serem ruminadas e rememoradas,
Agora, tudo é material de sonhos,
Tudo é mais querer,
Tudo é sentido, a flor da pele, sob a pele,
Tudo é pele...
Tudo é conspiração, trama, plano, desejo,
Tudo agora é meu e seu,
Faz parte de nós,
Tudo vibra, treme, balança, batuca,
Tudo é sensação,
É preciso que o dia amanheça,
Pra que a normalidade volte a correr nas veias,
Para que eu volte a respirar compassado,
Parar de brilhar,
Parar de sibilar, pra que ninguém mais nos ouça,
Pra que ninguém mais saiba de nós, além de nós,
E se sacramente história, memória, lembrança,
Desejo, libido, paixão e intenção,
Com o dia claro, de volta a realidade,
Agora sua...

Vera Celms
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