segunda-feira, 17 de julho de 2017

CLARA LUZ





Sou noturna
Minha luz se acende
quando a cidade apaga
Fazem-me par,
janelas isoladas – reais ou não -
Insones,
Solitárias
Contadas a dedo na madrugada
Contadores de historias
Colecionadores do tempo
Conspiradores
Desesperados
(in)Conformados
Desenformados
Assumidos
Moradores da alta noite
Fantasmas, vampiros, bruxas e fadas
Sacis, pirilampos, vagalumes e sapos
Não há cantos na madrugada,
Tudo é um eterno redondo,
Uma praça,
Um retorno
Um largo,
Ir e voltar, duas mãos na mesma via
Dois passos no mesmo pé
Minha luz é clara,
Noite enluarada...

Vera Celms
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CLARA LUZ de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

ENLUARÁ





Cai a noite na cidade
Em instantes tudo será sombra
Cairá o ritmo do relógio
Da respiração
O desejo de ir ou vir
Consolo seria que cairá a noite também no campo
Na bucólica cidadezinha
Na praia enluarada
A diferença é que além da cidade,
onde imperam os majestosos indiferentes prédios,
tudo mais estará enluarado...

Vera Celms
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domingo, 2 de julho de 2017

EPÍLOGO DE QUASE ONTEM





A história foi escrita
O epilogo data de quase ontem,
Doçuras, alegrias, felicidade,
Ranços, azedumes, duras constatações
Uma vida inteira pra entender,
palavras demais foram ditas
Entendida a vida: tão pouco a perceber,
palavras demais deixadas pra lá
Cochichos, olhares insinuantes,
Firme abraço, puro embaraço,
Tanto a dizer, mas as palavras ficaram ralas,
delicadas, vazadas,
Fina teia rendada, dura, resistente
Muito a dizer,
Tanto por dizer
A herança ficou viva, sem recursos
Balanço amarrado, interditado por toda a vida
Laço rompido,
agora despencado sobre nossas cabeças,
encolhido em nosso colo
Sem caminhos,
Sem visão
Sem vontade
Depois do epílogo, de quase ontem,
A historia passada a limpo
Enredo previsível, previsto, consumado
Seguimos, tentando ainda, desatar os nós

Vera Celms
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